O sono da civilização

O sono tem muitas funções e pode ser um dos motores de nossa evolução ao propiciar tempo livre e um rico imaginário para nossas inovações

De criança, sonhava sempre. Sonhos elaborados, com começo meio e fim, animados, e emocionantes, como um cinema mudo colorido onde tudo é em primeira pessoa. Assim como os filmes hoje em dia, meus sonhos vinham também em uma sequência progressiva de histórias concatenadas. Voar, por exemplo, era tema frequente, e o fim do sonho de ontem era, invariavelmente, o começo do de hoje, e assim voava cada dia mais alto, mais longe, e mais seguro, nestas minhas lições noturnas de autonomia. Continue Lendo “O sono da civilização”

O que você sabe sobre os besouros rola-bostas?

Os benefícios causados pela presença de rola-bostas em pastagens são estimados em 350 milhões de dólares nos EUA. Saiba o que esses besouros têm de tão valioso.

Besouros da subfamília Scarabaeinae (Coleoptera: Scarabaeidae) são popularmente conhecidos como escaravelhos ou rola-bostas, uma referência ao hábito de remover e manipular, em formato esférico, porções das fezes de mamíferos. Essas “bolas” de massa fecal são transportadas e enterradas em ninhos ou galerias cavadas pelos próprios rola-bostas, que as utilizarão para nidificação e alimentação de larvas e adultos (veja figura abaixo).

Ao observarem esse comportamento, associado à emersão de indivíduos jovens, os egípcios antigos passaram a utilizar escaravelhos como símbolos da ressureição, usando-os como amuletos e também esculpindo-os em tumbas e sarcófagos de grandes faraós. Continue Lendo “O que você sabe sobre os besouros rola-bostas?”

Nossos irmãos invertebrados

Os parentes mais próximos dos vertebrados são os tunicados, invertebrados marinhos que simplificaram seu genoma e sua morfologia durante a evolução.

Classificar é organizar em categorias seguindo certos critérios. Classificamos como planetas os corpos celestes esféricos que orbitam estrelas. Classificamos como lixo eletrônico os correios que não nos interessam. Em biologia, usamos o critério de parentesco (ou filogenético) para classificar as espécies. Identificamos linhagens e unimos parentes em uma imensa genealogia que chamamos de árvore da vida.

Às vezes é fácil. Nós, por exemplo, somos primatas e mamíferos. Somos também vertebrados e temos um ancestral comum mais próximo aos peixes, anfíbios e répteis do que a outros animais. Mas antes disso? Quais invertebrados são nossos parentes mais próximos? Quem é nosso grupo-irmão invertebrado? Continue Lendo “Nossos irmãos invertebrados”

Vivendo nas alturas

Nenhuma espécie expandiu-se geograficamente de maneira tão rápida e eficiente como a humana. Ao longo do processo expansionista, nossa espécie teve que adaptar-se a ambientes extremamente hostis para sobreviver. O presente texto é o primeiro de uma série sobre as adaptações genéticas que permitiram o sucesso expansionista do Homo sapiens.

Charles Darwin, em sua obra seminal “ A Origem das Espécies”, postula a evolução das espécies por meio da seleção natural. Nesse contexto, um organismo capaz de obter recursos do ambiente de modo mais eficiente, torna-se mais apto a sobreviver e a passar seus genes para a próxima geração, aumentando a frequência da característica que confere a aptidão na população.

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O que não mata, seleciona

Baratas que evitam açúcar para fugir de pesticidas, larvas de moscas que passam fome para não se intoxicar e mosquitos que deixam de picar dentro das casas para fazer refeições ao ar livre. Estas e outras histórias mostram o papel da evolução nas nossas interações com outras espécies.

A domesticação de plantas e animais, iniciada há mais de 10 mil anos, é um dos marcos mais importantes na nossa história e foi responsável pela reestruturação de nossa sociedade. Nesse processo, outras espécies também tiveram uma profunda alteração em sua demografia e estrutura genética: as espécies que, de uma perspectiva focada nos interesses humanos, chamamos de pragas. Continue Lendo “O que não mata, seleciona”

Macacos universais e a cognição nossa de cada dia

Macacos e humanos compartilham área cerebral para processamento de informação sobre interações sociais.

Ser ou não ser um macaco, foi a questão de sempre que não quer calar nunca, na ciência, na religião, na vida. Darwin acertou em cheio quando colocou o dedo nesta chaga exposta, retirando o ser humano de sua confortável posição, ali no centro da criação, perfurando nosso inflado ego, que já havia sido avariado por Copérnico (que retirou nossa casa do centro do sistema solar e do universo), e sendo seguido por Freud, que retirou nossa consciência do centro nevrálgico de nossas tão louvadas racionais decisões. O estrago foi tamanho que a chaga continua exposta, apesar dos inúmeros curativos e cuidados a ela dedicados. Uma das últimas fronteiras nesta batalha entre macacos e humanos é a neurociência. Será que nosso cérebro, para além de nossa genética, é semelhante em morfologia e funcionamento ao cérebro de nossos irmãos macacos? Continue Lendo “Macacos universais e a cognição nossa de cada dia”

A Evolução da Placenta

Cientistas usam a evolução da placenta como um modelo para entender como órgãos complexos se originam.

Considerando como os vertebrados diferem uns dos outros, é surpreendente que todos possuam internamente o mesmo conjunto de órgãos. Galinhas, peixes, seres humanos – todos têm corações, fígados, cérebros, rins e assim por diante. Cada um destes órgãos executa um conjunto especializado de funções.

Como esses órgãos evoluíram é um problema complicado de investigar, pois suas origens são muito antigas. Todos os órgãos dos vertebrados estavam presentes antes do surgimento dos primeiros vertebrados na Terra, há mais de 500 milhões de anos. E os pesquisadores sabem que alguns desses órgãos apareceram pela primeira vez ainda mais cedo. Por exemplo, o sistema nervoso pode preceder o ancestral comum mais recente de todos os animais, pois foi identificado em ctenóforos, organismos marinhos similares a águas-vivas, que pertencem a uma linhagem que se separou de todos os outros animais há mais de 600 milhões de anos. Continue Lendo “A Evolução da Placenta”