Vida semissintética é uma realidade cada vez mais próxima de nós

Cientistas são capazes de expandir o código genético e criar bactérias semissintéticas

O desejo de criar vida em laboratório a partir de moléculas não-vivas, ou de modificar organismos vivos com um objetivo específico, sempre povoou a mente de muitos de nós. Entre escritores, por exemplo, esse desejo se expressa nas mais mirabolantes histórias de ficção científica, nas quais personagens semi-humanos adquirem novas habilidades através da expansão do corpo por meio de aparatos tecnológicos. 

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Uma questão de pele

O que explica as grandes diferenças na cor de pele em nossa espécie? Hoje sabemos que mutações em diversos genes contribuem para essa variação. E descobrimos também o que tornou algumas mutações comuns em certas regiões do mundo e raras em outras: a seleção natural.

Há imensa variação na cor de pele de humanos: temos desde pele muito escura até muito clara. E, é claro, uma imensa gama intermediária. Por que? Como é comum em biologia, há diferentes formas de responder à questão. Continue Lendo “Uma questão de pele”

A evolução de uma mosca vegetariana

Sabe aquela mosquinha minúscula que pousa na fruteira quando as frutas estão maduras? Ela não está lá para comer as frutas, mas sim para que suas larvas possam comer as leveduras e outros microrganismos que crescerão quando a fruta estiver podre. Como a maioria das moscas, ela não se alimenta de vegetais. Digo maioria, pois algumas espécies da mesma família tornaram-se herbívoras. Como? Continue Lendo “A evolução de uma mosca vegetariana”

Vamos conversar sobre raça

A validade biológica de raças humanas vem sendo refutada por cientistas. Mas o emprego do termo segue vivo. Por que seguimos utilizando essa palavra? Se formos abandoná-la, de que forma trataremos das semelhanças e diferenças entre populações humanas?

O termo “raça” tem sido usado para descrever a variabilidade de nossa espécie há pelos menos três séculos. De modo geral, a ideia é que uma raça representa um grupo de populações que compartilham algumas características físicas, culturais ou biológicas. Mas não há uma definição exata do que é uma raça nem de quantas existem em nossa espécie. Consequentemente, biólogos se debruçaram sobre a seguinte questão: até que ponto os achados genéticos sustentam a utilização de categorias raciais? Continue Lendo “Vamos conversar sobre raça”

CRISPR-Cas: o corretor ortográfico de genomas

Cura de doenças, aumento da longevidade e bebês sob medida criados em laboratório. O que antes parecia um roteiro de ficção científica, agora está muito mais próximo de nossa realidade. As ferramentas para cortar, colar e substituir pedaços de genomas já estão disponíveis e cada vez mais precisas, baratas e fáceis de empregar.

Inspiração nos sistemas de defesa bacterianos

A Conferência de Asilomar sobre o DNA recombinante, em 1975, reuniu mais de cem cientistas, médicos e advogados para discutir os riscos potenciais da manipulação genética e estabelecer normas para sua utilização. Pouco antes, cientistas haviam descoberto um sistema de defesa das bactérias contra os bacteriófagos, seus patógenos virais. As bactérias produzem enzimas (endonucleases) capazes de  cortar genomas virais em pequenos pedaços. Essas enzimas foram isoladas e utilizadas para cortar sequências de DNA de diferentes fontes não bacterianas (inclusive o genoma humano). Os fragmentos eram ligados a outros por uma outra enzima, a DNA ligase. Assim começou a tecnologia do DNA recombinante e um período de avanços sem precedentes no conhecimento sobre genes, genomas e suas aplicações, que vão desde a obtenção de transgênicos até a produção de medicamentos e vacinas. Continue Lendo “CRISPR-Cas: o corretor ortográfico de genomas”

A História recontada pelo DNA

Nosso conhecimento sobre espécies extintas e civilizações passadas sempre foi embasado em dados fósseis e arqueológicos. A possibilidade de recuperar informação genética a partir de restos biológicos antigos, como ossos e dentes, tem aberto novas perspectivas para o estudo da história evolutiva humana, dando respostas que não poderiam ser obtidas por outras áreas do conhecimento que estudam nossas origens.

Em menos de 10 anos já foram estudados mais de 1100 genomas completos de hominídeos arcaicos, compreendendo um período de 430 mil anos. O sequenciamento desses indivíduos, ou populações, levaram a uma mudança importante na maneira como contamos a história da nossa espécie. Continue Lendo “A História recontada pelo DNA”

Modelos invisíveis: receita para problemas no ensino de genética

Relacionar ideias da genética clássica, genética molecular e genética atual é uma das principais dificuldades do ensino de genética, sobretudo quando diferentes modelos do gene e de suas funções se tornam invisíveis, perdendo-se de vista sua história

Um dos conceitos mais fundamentais da genética, gene, é entendido de modo fundamentalmente diferente na genética clássica (que se ocupa dos padrões de herança observados em cruzamentos e genealogias ou heredogramas), genética molecular (que tem como foco a análise de moléculas de DNA e seu processamento pelas células) e genética atual (caracterizada por uma compreensão cada vez maior dos genomas). Essas mudanças de significado do gene tornam difícil sua compreensão pelas pessoas, incluindo professores e estudantes que estão ensinando e aprendendo genética. As dificuldades aumentam muito quando se ensina genética de uma maneira que não é informada histórica e filosoficamente, em particular, quando não se ensina abordando explicitamente modelos construídos ao longo da história dessa ciência. Em postagem anterior, tratamos da distinção de dois significados de gene, “gene-P” e “gene-D”. Aqui, retornamos ao assunto, explorando-o de outras direções. Continue Lendo “Modelos invisíveis: receita para problemas no ensino de genética”