Puns, baratas, chocolate e vacinas têm algo em comum e você não vai acreditar!

“Cientistas fazem uma grande revelação e você não vai acreditar!” Essa fórmula para gerar manchetes de divulgação já deve ser bastante familiar para os assíduos das redes sociais. Elas estão repletas das descobertas mais estranhas supostamente feitas por cientistas, como “cientistas revelam que o cérebro humano é programado para beijar”; “cientistas descobrem em que horário é melhor tomar banho”; “cientistas revelam quem é a mulher com o corpo mais perfeito do mundo”; “cientistas descobrem que filhos herdam inteligência exclusivamente da mãe, e não do pai!”; ou até “cheiro de flatulência pode ajudar no tratamento de câncer, diz estudo”. Essas matérias com títulos chamativos são compartilhadas milhares de vezes, mas será que cientistas realmente fizeram essas descobertas?

Há alguns anos, inúmeros veículos de notícias relataram que cheirar puns poderia reduzir o risco de enfermidades como câncer, ataque do coração, infartos, disfunção erétil, artrite e demência. No entanto, não é possível encontrar nenhuma dessas informações no artigo científico ao qual as matérias se referem. Em sua pesquisa, o grupo liderado pelo Dr. Matthew Whiteman, da Universidade de Exeter, desenvolveu uma molécula chamada AP39, utilizada para aumentar os níveis de sulfeto de hidrogênio nas mitocôndrias. 

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Simulando a seleção natural na sala de aula

Metodologias participativas são boas alternativas para o ensino de evolução. Estudo testa duas simulações da seleção natural bastante usadas e mostra que ambas são igualmente eficazes na promoção da aprendizagem.

É bem conhecido de todos que a escola tende a ser magistrocêntrica: o professor costuma estar no centro do processo de ensino, deixando pouco espaço para atividade do estudante. Metodologias transmissivas ainda predominam, nas quais o professor explana durante tempos longos e cabe aos alunos exercitarem duas habilidades: escutar e ter paciência. Evidências empíricas e saberes docentes convergem em mostrar que essa abordagem tende a não ser bem-sucedida. As pessoas com frequência aprendem menos do que o esperado. Continue Lendo “Simulando a seleção natural na sala de aula”

Modelos invisíveis: receita para problemas no ensino de genética

Relacionar ideias da genética clássica, genética molecular e genética atual é uma das principais dificuldades do ensino de genética, sobretudo quando diferentes modelos do gene e de suas funções se tornam invisíveis, perdendo-se de vista sua história

Um dos conceitos mais fundamentais da genética, gene, é entendido de modo fundamentalmente diferente na genética clássica (que se ocupa dos padrões de herança observados em cruzamentos e genealogias ou heredogramas), genética molecular (que tem como foco a análise de moléculas de DNA e seu processamento pelas células) e genética atual (caracterizada por uma compreensão cada vez maior dos genomas). Essas mudanças de significado do gene tornam difícil sua compreensão pelas pessoas, incluindo professores e estudantes que estão ensinando e aprendendo genética. As dificuldades aumentam muito quando se ensina genética de uma maneira que não é informada histórica e filosoficamente, em particular, quando não se ensina abordando explicitamente modelos construídos ao longo da história dessa ciência. Em postagem anterior, tratamos da distinção de dois significados de gene, “gene-P” e “gene-D”. Aqui, retornamos ao assunto, explorando-o de outras direções. Continue Lendo “Modelos invisíveis: receita para problemas no ensino de genética”

Evolução em ilhas: um jogo de histórias paralelas

Ilhas são microcosmos de história natural onde os processos evolutivos observados nos continentes são representados com mais clareza e, às vezes, repetidamente.

Quando Charles Darwin deu a volta ao mundo no navio Beagle, ilhas eram entrepostos essenciais para travessias oceânicas.  Várias das ilhas mais isoladas do mundo fizeram parte da sua rota: Canárias, Cabo Verde, Fernando de Noronha, Galápagos, Taiti, Nova Zelândia e muitas outras. Charles Darwin teve assim a rara oportunidade de explorar e comparar diferentes arquipélagos. Ele percebeu que as espécies que habitavam cada ilha, frequentemente, eram endêmicas, isto é, não estavam presentes em outros lugares. Notou também que elas se pareciam mais com as espécies presentes nas ilhas ou nos continentes próximos. Alguns anos mais tarde, Darwin chegou a conclusões que hoje são alicerces da biologia moderna: espécies migram, adaptam-se e originam novas espécies. As ilhas, mais do que qualquer outro lugar, mostravam estes processos em ação. Continue Lendo “Evolução em ilhas: um jogo de histórias paralelas”

Para entendermos os celacantos precisamos da evolução

Não compreender evolução é tão grave quanto insistir que a Terra é plana. Tratamos disso anteriormente, distinguindo entre compreender evolução e acreditar em evolução. Hoje ilustramos os prejuízos para uma conversa proveitosa sobre evolução quando não há compreensão suficiente.

Basta fazer uma busca no Google com as palavras-chave “celacanto” e “evolução” para encontrar uma série de textos e imagens de sites e outros veículos criacionistas ou vinculados ao design inteligente (DI) afirmando que o celacanto seria evidência contrária à teoria darwinista, porque seria um fóssil vivo, não teria evoluído, teria a mesma forma que tinha há milhões de anos. Este é um bom exemplo de como uma conversa sobre ciência é desencaminhada por uma falta de compreensão da teoria evolutiva, ou, pior, por uma intenção de distorcer a compreensão para defender uma posição tomada de antemão. De um lado ou de outro, perdemos uma oportunidade de discutir uma maneira legítima de explicar a diversidade e as adaptações das espécies, fruto do trabalho de centenas de cientistas através de pelo menos um século e meio, e muito bem apoiada por evidências, um critério fundamental para a aceitação de uma teoria científica. Desse modo, perdemos, ademais, uma oportunidade de nos enriquecermos culturalmente, não obstante no que acreditemos ou não. Continue Lendo “Para entendermos os celacantos precisamos da evolução”

Por que devemos compreender evolução?

Não compreender a teoria da evolução e suas implicações para o entendimento de nós mesmos e do mundo ao nosso redor é tão grave quanto pensar que a Terra é plana. E pensar sobre isso nos leva ainda além…

A ciência não é somente uma fonte de utensílios que usamos em nosso dia-a-dia ou de curiosidades para acalentar nossas noites sem sono. Ela é parte fundamental do legado cultural da modernidade. Não entender ideias científicas é estar limitado em nossa formação cultural. Continue Lendo “Por que devemos compreender evolução?”

Embriões transparentes

Cientistas franceses criaram um banco de imagens com cerca de 1,5 milhão de fotografias fluorescentes de embriões humanos que servirão como referência para futuros estudos

A investigação da anatomia humana está estreitamente associada à capacidade de representar e intercambiar observações. Por muito tempo, isso significou desenhar e pintar corpos dissecados. Anatomistas clássicos como Andreas Vesalius, por exemplo, inovaram pela complexidade dos desenhos e grandes pintores como Da Vinci e Michelangelo também produziram desenhos anatômicos. Não por acaso, a anatomia moderna floresceu com a invenção da imprensa, pois ela possibilitou a difusão de desenhos e minimizou a necessidade do estudo direto de cadáveres, um procedimento sujeito a questionamentos socioculturais, religiosos e morais. Continue Lendo “Embriões transparentes”