Vida semissintética é uma realidade cada vez mais próxima de nós

Cientistas são capazes de expandir o código genético e criar bactérias semissintéticas

O desejo de criar vida em laboratório a partir de moléculas não-vivas, ou de modificar organismos vivos com um objetivo específico, sempre povoou a mente de muitos de nós. Entre escritores, por exemplo, esse desejo se expressa nas mais mirabolantes histórias de ficção científica, nas quais personagens semi-humanos adquirem novas habilidades através da expansão do corpo por meio de aparatos tecnológicos. 

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O segredo das ervilhas: as plantas também aprendem!

Pesquisadores estudam condicionamento clássico em plantas e resultados apontam que as plantas são capazes de aprender por associação.

As plantas tiveram e seguem tendo um papel fundamental no estabelecimento e na manutenção da vida na Terra.  Durante a evolução do nosso planeta, os primeiros seres fotossintetizantes, chamados de cianobactérias, que surgiram há aproximadamente 2.5 bilhões de anos,  e modificaram definitivamente o ambiente terrestre devido à liberação de oxigênio livre (O2) na atmosfera, evento que ficou conhecido como o Grande Evento de Oxigenação. Esse evento teve consequências importantes para a vida na Terra, dentre as quais a formação da camada de ozônio (O3), assim como a morte de vários organismos que não eram capazes de metabolizar o oxigênio (através da respiração celular), conhecidos como anaeróbicos obrigatórios.  A linhagem que deu origem às plantas evoluiu a partir de eucariotos fotossintetizantes, resultantes da endossimbiose  dessas células com cianobactérias de vida livre. Para saber mais sobre a evolução de células eucarióticas veja o post do Darwinianas aqui. Além de servirem como uma das principais fontes da nossa alimentação, as plantas também fornecem diversos outros produtos de origem vegetal e têm efeito considerável no clima e um papel fundamental em todos os ecossistemas. Continue Lendo “O segredo das ervilhas: as plantas também aprendem!”

As estripulias do genoma

Cientistas publicam sequência do genoma da aranha doméstica comum (Parasteatoda tepidariorum) e descobrem a presença de eventos de duplicação completa do genoma nas aranhas e famílias aparentadas

O termo ‘genoma’ exerce em muitos um grande fascínio. Em termos biológicos, o genoma é o conjunto de todas as moléculas de DNA (ácido desoxirribonucleico) de um organismo, cada uma dessas moléculas constituindo um cromossomo, juntamente com outras moléculas, como as proteínas. As moléculas de DNA são componentes fundamentais dos processos de produção de proteína pelas células dos organismos vivos e são, também, hereditários, ou seja, transmitidos de uma geração à outra. Portanto, participam de processos fundamentais para a manutenção da vida. Além disso, alterações nessas moléculas podem estar, muitas vezes, ligadas a disfunções e doenças.

Desde a publicação da sequência do genoma humano em 2001, as promessas acerca das possibilidades de conhecimento e resolução dos problemas humanos, desde doenças a traços do comportamento, criaram uma falsa percepção de que o sequenciamento do genoma representaria a chave para abrir as portas da natureza humana. Mais de 15 anos depois, percebemos que, apesar dos avanços no conhecimento que temos a respeito da organização e do funcionamento do genoma, muitas perguntas ainda estão sem resposta. Longe de ser surpreendente, isso é natural e esperado, dado que processos patológicos ou características comportamentais envolvem muitos outros níveis de organização da matéria viva do que apenas o conhecimento da sequência de nucleotídeos que forma o genoma. Continue Lendo “As estripulias do genoma”

O futuro é um deserto

Estudos apontam que as florestas secas ocupam hoje uma área semelhante àquela ocupada pelas florestas úmidas, e sofrerão impacto significativo das mudanças climáticas até o final do século XXI.

Biomas de zonas áridas cobrem mais de 40% da superfície terrestre atualmente. Essas regiões caracterizam-se, principalmente pela falta de água, resultado de chuvas irregulares e escassas. Apesar da pouca importância dada a esses biomas, assunto discutido em uma postagem anterior (As Florestas Esquecidas), as zonas áridas abrigam 7 dos 25 hotspots de biodiversidade mundiais.  Continue Lendo “O futuro é um deserto”

De volta ao estado selvagem

O processo de desdomesticação de espécies, apesar de comum, é ainda muito pouco estudado e só agora seus mecanismos genéticos começam a ser desvendados.

A domesticação de espécies de interesse econômico é um processo muito antigo, através do qual o ser humano realiza o cruzamento de indivíduos com características desejáveis, a fim de melhorar a sua produtividade. Continue Lendo “De volta ao estado selvagem”

Misturar é preciso!

A mistura de diferentes linhagens genéticas é essencial para a produção em larga escala da maior parte dos produtos agrícolas que consumimos.

A partir do Neolítico, com a instituição das práticas agrícolas, o ser humano iniciou os processos de domesticação de diversas espécies. A partir da seleção artificial de indivíduos com características desejáveis, o ser humano criou inúmeras linhagens cultivadas de plantas e animais. Uma das histórias de domesticação de plantas mais bem estudada é aquela do milho (Zea mays ssp mays). A hipótese mais aceita é a de que o milho derivou da domesticação de espécies de teosinte, gramíneas do mesmo gênero do milho, encontradas na Mesoamérica há mais de 8.700 anos (Figura 1A). Continue Lendo “Misturar é preciso!”

O fogo e a biodiversidade: os dois lados de uma mesma moeda

Há muito visto apenas como agente de destruição ambiental, o fogo é hoje entendido como importante agente de promoção de biodiversidade em alguns ecossistemas.

Quando falamos em fogo e meio ambiente, logo pensamos em destruição de habitat, morte de animais e plantas e até mesmo extinção de espécies. E não é para menos.  No ano de 2016, o INPE detectou, através do seu sistema de monitoramento de incêndios florestais por meio de imagens de satélite (mais especificamente o NOAA-15), mais de 164.000 (cento e sessenta e quatro mil) focos de incêndio apenas no Brasil.  Além da destruição ambiental, os incêndios florestais liberam para a atmosfera uma quantidade significativa de gás carbônico. Foi estimado que cerca de 50% do material queimado seja convertido em gases de efeito estufa, que dificultam (ou impedem) a dispersão da radiação solar refletida pela Terra e resultando em um aumento da temperatura atmosférica global. No ranking mundial, o Brasil está entre os principais países emissores desses gases e a modificação do uso da terra, decorrente do desmatamento de florestas para sua conversão em áreas de pastagem ou agricultura, é o principal fator, contribuindo com até 70% do total de emissões do país. Continue Lendo “O fogo e a biodiversidade: os dois lados de uma mesma moeda”