Darwin e a Síndrome da Domesticação.

Se você prestar atenção, perceberá que os animais domésticos têm algumas características em comum, tais como orelhas caídas, pelagem apresentando manchas brancas e focinhos mais curtos. Você já se perguntou o porquê dessas similaridades, conhecidas como Síndrome da Domesticação?

A Teoria da Evolução de Charles Darwin, publicada em 1859 sob título de “A Origem das Espécies”, não discorre ao longo de suas mais de quinhentas páginas sobre os mecanismos hereditários que seriam subjacentes a sua revolucionária ideia. No entanto, em seu livro seguinte “A Variação das Plantas e Animais Domesticados”, de 1868, Darwin realiza um detalhado estudo sobre hereditariedade ao analisar espécies domesticadas, apenas poucos anos após a elaboração das Leis da Hereditariedade por Gregor Mendel.
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A conquista do mundo pelos gatos

A Mesopotâmia foi o berço da nossa civilização e dos primeiros gatos domésticos, mas foi a partir do Antigo Egito que essa espécie começou a conquistar o mundo.

A história do gato doméstico (Felis silvestris catus) desenvolveu-se de maneira paralela à da nossa espécie, mas sem grande interferência humana por um longo tempo. Enquanto os ancestrais dos cães aproximaram-se e foram cooptados por bandos de caçadores-coletores há cerca de 20-40 mil anos, os gatos só passaram a fazer parte de nossa história após  o surgimento da agricultura, há cerca de 10 mil anos. Continue Lendo “A conquista do mundo pelos gatos”

A História recontada pelo DNA

Nosso conhecimento sobre espécies extintas e civilizações passadas sempre foi embasado em dados fósseis e arqueológicos. A possibilidade de recuperar informação genética a partir de restos biológicos antigos, como ossos e dentes, tem aberto novas perspectivas para o estudo da história evolutiva humana, dando respostas que não poderiam ser obtidas por outras áreas do conhecimento que estudam nossas origens.

Em menos de 10 anos já foram estudados mais de 1100 genomas completos de hominídeos arcaicos, compreendendo um período de 430 mil anos. O sequenciamento desses indivíduos, ou populações, levaram a uma mudança importante na maneira como contamos a história da nossa espécie. Continue Lendo “A História recontada pelo DNA”

Sobre cães, humanos e genética

Humanos e cães se relacionam há dezenas de milhares de anos. Durante esse tempo foi estabelecida uma parceria que deixou marcas nos genomas de ambas as espécies.

Entre 20 e 40 mil anos antes do presente, ocorreu no noroeste do continente europeu um evento que marcaria a história evolutiva de duas espécies. Um pequeno grupo de lobos-cinzentos (Canis lupus) aproximou-se de um grupo de caçadores-coletores e passou a segui-lo. Iniciou-se assim o processo de domesticação dos cães (Canis lupus familiaris).  Ao longo de tal processo, esses animais foram vitais para o sucesso na expansão de nossa espécie ao redor do globo. A inclusão de matilhas de cães nos grupos caçadores-coletores trouxe duas vantagens imediatas: a primeira foi a possibilidade de aviso prévio à chegada de predadores, e a segunda foi o auxílio nas estratégias de caça de grandes animais. Os cães ajudavam os caçadores a encontrar a presa com mais facilidade, bem como encurralavam a presa para que ela pudesse ser abatida.

A história evolutiva dos cães pode ser dividida didaticamente em dois estágios. O primeiro se refere ao contexto mencionado anteriormente, no qual ocorreu a aproximação entre as duas espécies, cães e homens. O segundo é relativo aos dois últimos séculos, quando foram criadas raças com características específicas agradáveis aos humanos. Esse segundo estágio levou a uma grande diversificação morfológica dentro da espécie, resultante do intenso processo de seleção artificial ao qual a mesma foi submetida. Atualmente são reconhecidas pelo American Kennel Club cerca de 190 raças de cães, nenhuma das quais existia há 150 anos. Continue Lendo “Sobre cães, humanos e genética”

Vivendo nas alturas

Nenhuma espécie expandiu-se geograficamente de maneira tão rápida e eficiente como a humana. Ao longo do processo expansionista, nossa espécie teve que adaptar-se a ambientes extremamente hostis para sobreviver. O presente texto é o primeiro de uma série sobre as adaptações genéticas que permitiram o sucesso expansionista do Homo sapiens.

Charles Darwin, em sua obra seminal “ A Origem das Espécies”, postula a evolução das espécies por meio da seleção natural. Nesse contexto, um organismo capaz de obter recursos do ambiente de modo mais eficiente, torna-se mais apto a sobreviver e a passar seus genes para a próxima geração, aumentando a frequência da característica que confere a aptidão na população.

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Brasis: Diversidade e Evolução da População Brasileira

O Brasil é um país de extensão territorial continental, formado pela mistura de diversos povos que aqui se encontraram. Estudos genéticos recentes estão tentando resgatar detalhes desses processos migratórios e da dinâmica de miscigenação que moldou a população atual brasileira.

A população brasileira se distingue da dos demais países latino americanos. Tal diferenciação é resultado do intrincado processo de colonização e ocupação do território brasileiro. Historicamente, são três os principais fatores que tornam a população brasileira única dentro da América Latina. Continue Lendo “Brasis: Diversidade e Evolução da População Brasileira”

O BOM, O MAU E O FEIO

O mau uso da teoria evolutiva e a interpretação simplista de correlações estatísticas tem possibilitado o ressurgimento de estudos acadêmicos que relacionam características físicas com condutas morais ou éticas.

O número de piratas vem diminuindo desde o século XVIII, simultaneamente com o aumento da temperatura global. Dito de outra maneira, existe uma relação inversa entre o número de piratas no planeta e o aumento da temperatura global. Tal fato poderia ser explicado de três maneiras: Continue Lendo “O BOM, O MAU E O FEIO”