Alan Turing na palma da mão

A repetição de formas simples produz alguns dos padrões mais belos da natureza. Pintas na pele das onças e listras na pele das zebras, por exemplo. Há 65 anos, o matemático inglês Alan Turing propôs modelos para explicar estas formas periódicas. Hoje, com a ajuda dos computadores modernos, vemos que eles podem explicar mais do que esperávamos, incluindo o desenvolvimento e a evolução dos nossos dedos.

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Puns, baratas, chocolate e vacinas têm algo em comum e você não vai acreditar!

“Cientistas fazem uma grande revelação e você não vai acreditar!” Essa fórmula para gerar manchetes de divulgação já deve ser bastante familiar para os assíduos das redes sociais. Elas estão repletas das descobertas mais estranhas supostamente feitas por cientistas, como “cientistas revelam que o cérebro humano é programado para beijar”; “cientistas descobrem em que horário é melhor tomar banho”; “cientistas revelam quem é a mulher com o corpo mais perfeito do mundo”; “cientistas descobrem que filhos herdam inteligência exclusivamente da mãe, e não do pai!”; ou até “cheiro de flatulência pode ajudar no tratamento de câncer, diz estudo”. Essas matérias com títulos chamativos são compartilhadas milhares de vezes, mas será que cientistas realmente fizeram essas descobertas?

Há alguns anos, inúmeros veículos de notícias relataram que cheirar puns poderia reduzir o risco de enfermidades como câncer, ataque do coração, infartos, disfunção erétil, artrite e demência. No entanto, não é possível encontrar nenhuma dessas informações no artigo científico ao qual as matérias se referem. Em sua pesquisa, o grupo liderado pelo Dr. Matthew Whiteman, da Universidade de Exeter, desenvolveu uma molécula chamada AP39, utilizada para aumentar os níveis de sulfeto de hidrogênio nas mitocôndrias. 

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Na teia da ciência

As aranhas são animais fascinantes que habitam não só nossas casas e jardins, mas também nossas histórias e os piores pesadelos de muita gente. Uma aranha salvou um porquinho em um livro infantil. Outras são vilões em filmes de terror. Elas até tiveram seu genoma misturado ao de um adolescente para criar um dos super-heróis mais populares entre as crianças. Essa popularidade, no entanto, não era notada nos estudos genômicos e evolutivos. Até agora

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Este corpo mente

Conversar livremente com animais, como Alice, no país das maravilhas, é um sonho para muitos. Para o filósofo da mente, no entanto, traduzir as mentes animais mais se assemelha a um pesadelo, à vida em um eterno labirinto de incompreensões.

Afinal de contas o que significa possuir uma mente? É comum ouvirmos que animais são irracionais. Decorreria daí, por exemplo, que eles não possuiriam mente? Ou seria ainda pior, e para termos mente, teríamos mesmo é que ter consciência, e nesse caso correríamos o risco de ver metade do congresso nacional subitamente despossuído de mente? Continue Lendo “Este corpo mente”

A evolução de uma mosca vegetariana

Sabe aquela mosquinha minúscula que pousa na fruteira quando as frutas estão maduras? Ela não está lá para comer as frutas, mas sim para que suas larvas possam comer as leveduras e outros microrganismos que crescerão quando a fruta estiver podre. Como a maioria das moscas, ela não se alimenta de vegetais. Digo maioria, pois algumas espécies da mesma família tornaram-se herbívoras. Como? Continue Lendo “A evolução de uma mosca vegetariana”

CRISPR-Cas: o corretor ortográfico de genomas

Cura de doenças, aumento da longevidade e bebês sob medida criados em laboratório. O que antes parecia um roteiro de ficção científica, agora está muito mais próximo de nossa realidade. As ferramentas para cortar, colar e substituir pedaços de genomas já estão disponíveis e cada vez mais precisas, baratas e fáceis de empregar.

Inspiração nos sistemas de defesa bacterianos

A Conferência de Asilomar sobre o DNA recombinante, em 1975, reuniu mais de cem cientistas, médicos e advogados para discutir os riscos potenciais da manipulação genética e estabelecer normas para sua utilização. Pouco antes, cientistas haviam descoberto um sistema de defesa das bactérias contra os bacteriófagos, seus patógenos virais. As bactérias produzem enzimas (endonucleases) capazes de  cortar genomas virais em pequenos pedaços. Essas enzimas foram isoladas e utilizadas para cortar sequências de DNA de diferentes fontes não bacterianas (inclusive o genoma humano). Os fragmentos eram ligados a outros por uma outra enzima, a DNA ligase. Assim começou a tecnologia do DNA recombinante e um período de avanços sem precedentes no conhecimento sobre genes, genomas e suas aplicações, que vão desde a obtenção de transgênicos até a produção de medicamentos e vacinas. Continue Lendo “CRISPR-Cas: o corretor ortográfico de genomas”

Ser ou pertencer: eis a questão

Socialidade começa de forma simples, induzida por forças organizadoras ecológicas que intensificam as interações sociais, dando oportunidade para o surgimento de variados experimentos sociais naturais

O filósofo francês Jean Paul Sartre costumava dizer que ‘o inferno são os outros’. Viver em sociedade parece ser aquilo que nos transformou em humanos, mas conviver com outros requer muita paciência. As regras de convívio impõem limites à nossa tão preciosa liberdade, e a estratificação social escancara uma injustiça contra a qual toda rebelião é pequena, e o status quo impera novamente sob um horizonte de distantes harmonias sociais. Continue Lendo “Ser ou pertencer: eis a questão”