Macacos universais e a cognição nossa de cada dia

Macacos e humanos compartilham área cerebral para processamento de informação sobre interações sociais.

Ser ou não ser um macaco, foi a questão de sempre que não quer calar nunca, na ciência, na religião, na vida. Darwin acertou em cheio quando colocou o dedo nesta chaga exposta, retirando o ser humano de sua confortável posição, ali no centro da criação, perfurando nosso inflado ego, que já havia sido avariado por Copérnico (que retirou nossa casa do centro do sistema solar e do universo), e sendo seguido por Freud, que retirou nossa consciência do centro nevrálgico de nossas tão louvadas racionais decisões. O estrago foi tamanho que a chaga continua exposta, apesar dos inúmeros curativos e cuidados a ela dedicados. Uma das últimas fronteiras nesta batalha entre macacos e humanos é a neurociência. Será que nosso cérebro, para além de nossa genética, é semelhante em morfologia e funcionamento ao cérebro de nossos irmãos macacos? Continue Lendo “Macacos universais e a cognição nossa de cada dia”

A Evolução da Placenta

Cientistas usam a evolução da placenta como um modelo para entender como órgãos complexos se originam.

Considerando como os vertebrados diferem uns dos outros, é surpreendente que todos possuam internamente o mesmo conjunto de órgãos. Galinhas, peixes, seres humanos – todos têm corações, fígados, cérebros, rins e assim por diante. Cada um destes órgãos executa um conjunto especializado de funções.

Como esses órgãos evoluíram é um problema complicado de investigar, pois suas origens são muito antigas. Todos os órgãos dos vertebrados estavam presentes antes do surgimento dos primeiros vertebrados na Terra, há mais de 500 milhões de anos. E os pesquisadores sabem que alguns desses órgãos apareceram pela primeira vez ainda mais cedo. Por exemplo, o sistema nervoso pode preceder o ancestral comum mais recente de todos os animais, pois foi identificado em ctenóforos, organismos marinhos similares a águas-vivas, que pertencem a uma linhagem que se separou de todos os outros animais há mais de 600 milhões de anos. Continue Lendo “A Evolução da Placenta”

De volta ao estado selvagem

O processo de desdomesticação de espécies, apesar de comum, é ainda muito pouco estudado e só agora seus mecanismos genéticos começam a ser desvendados.

A domesticação de espécies de interesse econômico é um processo muito antigo, através do qual o ser humano realiza o cruzamento de indivíduos com características desejáveis, a fim de melhorar a sua produtividade. Continue Lendo “De volta ao estado selvagem”

As mutações que carregamos

Estamos acostumados a considerar que a seleção natural inexoravelmente eliminará das populações as mutações que são prejudiciais. Porém, há um processo evolutivo é capaz de se opor à seleção e que explica a persistência de mutações prejudiciais em nossos genomas

Toda vez que uma criança nasce, ela carrega aproximadamente 50 mutações novas, que surgiram nos gametas produzidos pelos seus progenitores. Como populações são formadas por grandes números de indivíduos, a cada geração muitas mutações estão surgindo. Continue Lendo “As mutações que carregamos”

A evolução da linguagem e a continuidade mental entre animais não-humanos e humanos

Não há um abismo entre animais não-humanos e humanos, mas proximidade e continuidade: nossa cognição e linguagem evoluíram a partir de fenômenos encontrados em outros animais, como o deslocamento mental no tempo e espaço, e a teoria da mente.

Se já é difícil as pessoas perceberem que sem a ciência seus celulares ou a internet ou as TVs de LED, plasma etc. não existiriam, ou suas expectativas médias de vida poderiam não passar dos 40 anos (que era a expectativa média de vida no século XIX), mais fácil ainda é ser esquecido o enorme legado da ciência para nossa compreensão de nós mesmos e do mundo ao nosso redor. Continue Lendo “A evolução da linguagem e a continuidade mental entre animais não-humanos e humanos”

Misturar é preciso!

A mistura de diferentes linhagens genéticas é essencial para a produção em larga escala da maior parte dos produtos agrícolas que consumimos.

A partir do Neolítico, com a instituição das práticas agrícolas, o ser humano iniciou os processos de domesticação de diversas espécies. A partir da seleção artificial de indivíduos com características desejáveis, o ser humano criou inúmeras linhagens cultivadas de plantas e animais. Uma das histórias de domesticação de plantas mais bem estudada é aquela do milho (Zea mays ssp mays). A hipótese mais aceita é a de que o milho derivou da domesticação de espécies de teosinte, gramíneas do mesmo gênero do milho, encontradas na Mesoamérica há mais de 8.700 anos (Figura 1A). Continue Lendo “Misturar é preciso!”

Brasis: Diversidade e Evolução da População Brasileira

O Brasil é um país de extensão territorial continental, formado pela mistura de diversos povos que aqui se encontraram. Estudos genéticos recentes estão tentando resgatar detalhes desses processos migratórios e da dinâmica de miscigenação que moldou a população atual brasileira.

A população brasileira se distingue da dos demais países latino americanos. Tal diferenciação é resultado do intrincado processo de colonização e ocupação do território brasileiro. Historicamente, são três os principais fatores que tornam a população brasileira única dentro da América Latina. Continue Lendo “Brasis: Diversidade e Evolução da População Brasileira”