Dois significados de “gene” e o determinismo genético

A confusão entre dois significados distintos de gene favorece ideias deterministas genéticas.

É muito comum nos depararmos com a afirmação de que foi encontrado algum “gene para” uma característica. Essa afirmação não tem lugar apenas quando falamos de doenças monogênicas (que envolvem somente um gene), como, por exemplo, a fenilcetonúria, mas também em relação a características complexas, como inteligência, agressividade ou até mesmo felicidade. Para a maioria das pessoas, quando falamos em um gene “para” alguma característica, estamos dizendo que o gene determina a característica. Ou seja, estamos assumindo uma visão determinista genética. Continue Lendo “Dois significados de “gene” e o determinismo genético”

Quais fatores determinam a diversidade genética em animais?

Um artigo recente explora os fatores que explicam por que algumas espécies possuem mais variabilidade genética do que outras. As respostas encontradas aproximam estudos genéticos de conceitos ecológicos.

Quase todas as espécies possuem variabilidade. Ao nível genético, a variabilidade pode ser definida como a quantidade de diferenças que há entre sequências de DNA presentes em diferentes indivíduos. Entender a variabilidade genética tem implicações teóricas e práticas: ela é a matéria prima da seleção natural e, também, um fator chave a ser considerado na hora de planejar políticas de conservação (espécies pouco variáveis são tipicamente vistas como mais ameaçadas de extinção).

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A metade oculta do ecossistema Devoniano

Cientistas descrevem o mais antigo registro de paleossolo com rizomas de plantas vasculares e propõem um importante papel para essas estruturas na estabilização dos solos há 400 milhões de anos.

 

As consequências da erosão dos solos, principalmente devido à ação da água, são largamente conhecidas, assim como sabemos também do papel da vegetação na redução das taxas de erosão. Sabemos que as taxas de erosão do solo decrescem exponencialmente com o aumento da cobertura vegetal e, pelo menos desde 2005, tornou-se inequívoca a contribuição das raízes na diminuição das taxas de erosão do solo.  Apesar dos avanços nos conhecimentos sobre as contribuições recentes da vegetação na formação e estabilização do solo, ainda sabemos pouco sobre a contribuição da cobertura vegetal para o estabelecimento e a evolução dos solos ao longo da história da Terra. Continue Lendo “A metade oculta do ecossistema Devoniano”

Para conservar a natureza, é preciso confiança

Três estudos mostram que relações de confiança com comunidades locais têm papel importante na conservação ambiental

Neste semestre, estamos envolvidos num tipo inovador de disciplina, criado na Reitoria de Felippe Serpa, na Universidade Federal da Bahia: Atividade Curricular em Comunidade e Sociedade (ACCS). A ideia é engajar estudantes, sob orientação de docentes, em iniciativas que lidam com uma diversidade de questões sociais. É um bom exemplo de como é falsa a ideia de que as universidades públicas brasileiras contribuem pouco para a sociedade. Continue Lendo “Para conservar a natureza, é preciso confiança”

As múltiplas faces de uma infecção viral

Infecção por vírus aumenta atração de polinizadores e pode levar a aumento da produtividade em cultivos agrícolas

As plantas, assim como os animais, são susceptíveis a infecções virais. O Vírus do Mosaico do Pepino (Cucumber Mosaic Virus, CMV) está entre os 10 mais importantes, tanto científica quanto economicamente. A despeito do nome, o CMV afeta mais de 1.200 espécies de plantas de mais de 100 famílias, tanto de monocotiledôneas quanto de eudicotiledôneas.   Continue Lendo “As múltiplas faces de uma infecção viral”

A ciência narrada com arte e elegância

Em sua autobiografia, Oliver Sacks nos convida a revisitar suas obras

Há cerca de um ano, o neurocientista britânico Oliver Sacks se despediu aos 82 anos, após um câncer anunciado, mas, antes disso, nos brindou com uma autobiografia recheada de tudo que seus leitores e admiradores mereciam. Em Sempre em Movimento – Uma vida (Companhia das Letras, 2015), Sacks nos oferece uma narrativa pessoal rica e corajosa.  Continue Lendo “A ciência narrada com arte e elegância”

A Era dos Mortos-Vivos: Por que muitas espécies de plantas estão a caminho da extinção

Cientistas estimam que o processo de extinção em plantas leva mais tempo do que em animais, e que uma em cada cinco espécies de plantas vasculares está em processo de extinção.

Um documento recente produzido pelo Royal Botanical Gardens, localizado em Kew, subúrbio de Londres, a respeito do estado atual das plantas vasculares, chamou a atenção do mundo. De acordo com o relatório, o Brasil é o país de maior diversidade de plantas vasculares do planeta, com mais de 32.000 espécies descritas, das quais 18.423 são endêmicas da flora brasileira. As plantas vasculares formam um grande grupo de plantas terrestres, incluindo as samambaias, os pinheiros ou gimnospermas, e as plantas com flores, também conhecidas como angiospermas. As plantas vasculares constituem a vasta maioria das plantas utilizadas pelos seres humanos. Continue Lendo “A Era dos Mortos-Vivos: Por que muitas espécies de plantas estão a caminho da extinção”