O fogo e a biodiversidade: os dois lados de uma mesma moeda

Há muito visto apenas como agente de destruição ambiental, o fogo é hoje entendido como importante agente de promoção de biodiversidade em alguns ecossistemas.

Quando falamos em fogo e meio ambiente, logo pensamos em destruição de habitat, morte de animais e plantas e até mesmo extinção de espécies. E não é para menos.  No ano de 2016, o INPE detectou, através do seu sistema de monitoramento de incêndios florestais por meio de imagens de satélite (mais especificamente o NOAA-15), mais de 164.000 (cento e sessenta e quatro mil) focos de incêndio apenas no Brasil.  Além da destruição ambiental, os incêndios florestais liberam para a atmosfera uma quantidade significativa de gás carbônico. Foi estimado que cerca de 50% do material queimado seja convertido em gases de efeito estufa, que dificultam (ou impedem) a dispersão da radiação solar refletida pela Terra e resultando em um aumento da temperatura atmosférica global. No ranking mundial, o Brasil está entre os principais países emissores desses gases e a modificação do uso da terra, decorrente do desmatamento de florestas para sua conversão em áreas de pastagem ou agricultura, é o principal fator, contribuindo com até 70% do total de emissões do país. Continue Lendo “O fogo e a biodiversidade: os dois lados de uma mesma moeda”

O voo da ema

DNA de aves extintas indica que os ancestrais das emas, avestruzes e kiwis chegaram voando aos seus respectivos continentes e só depois perderam a capacidade de voar

A aceitação da deriva continental, a teoria de que os continentes se movem, ocorreu surpreendentemente tarde. A proposta original de Alfred Wegener, em 1912, tornou-se prevalente entre cientistas apenas cinco décadas mais tarde, revolucionando muitas áreas da ciência, incluindo o entendimento da distribuição dos seres vivos na Terra.

Muitos dos argumentos usados a favor da deriva continental foram biogeográficos, pois a teoria permitia explicar como vários grupos de animais e plantas possuem seus parentes mais próximos em continentes atualmente separados por oceanos. Por exemplo, marsupiais e araucárias na Austrália e na América do Sul. Continue Lendo “O voo da ema”

De onde vieram os animais?

Hipóteses do biólogo evolutivo Thomas Cavalier-Smith nos ajudam a pensar sobre a origem dos animais a partir da transição de coanoflagelados, um grupo de protistas, a esponjas

Sem a evolução da multicelularidade e, mais especificamente, dos animais, claro que eu não estaria aqui escrevendo este texto. Nós não estaríamos aqui. Uma interpretação evolutiva das origens (dos organismos multicelulares, dos animais, dos humanos etc.) sempre causa controvérsia, mas pode haver pouca dúvida de que ela nos mostra como podemos ser (e somos) bem sucedidos em explicar questões tão fundamentais quanto a das origens de uma perspectiva naturalista – isto é, que não admite quaisquer outras causas que não causas naturais.

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Desníveis de organização global

Sociedades humanas globalizadas precisam de novos modelos matemáticos para regular seu crescimento e ancorar seu livre sonhar

Com o advento das redes sociais, migramos definitivamente de uma sociedade formatada por classes sociais, para outra formatada por grupos identitários fragmentários, constituídos a partir de fatores de coesão relativamente transitórios. Continue Lendo “Desníveis de organização global”

A diversidade humana não cabe nas categorias raciais

Através da análise de muitos genes, indivíduos podem ser alocados em grupos que correspondem aos seus continentes ou países de origem. Isso quer dizer que o conceito de raças humanas está correto?

 

Falamos sobre raças humanas o tempo todo. Livros didáticos e artigos científicos se referem a “Caucasianos”, “Negros”, “Amarelos” e “Índios”, por exemplo. O que geneticistas têm a dizer sobre essa categorização dos humanos?

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Lapa do Santo: uma biografia arqueológica dos povos de Luzia

Escavações arqueológicas na região de Lagoa Santa em Minas Gerais revelam como viviam os primeiros brasileiros.

Em 1836, na região de Lagoa Santa em Minas Gerais, o naturalista dinamarquês Peter Wilhelm Lund foi contraposto àquilo que seria a maior surpresa de sua vida. Na gruta do Sumidouro, ele encontrou os restos mortais de seres humanos junto a ossos fossilizados de animais extintos. Conectava-se, assim, o tempo presente com aquilo que se pensava constituir um mundo pré-diluviano e, ao mesmo tempo, confirmava-se a antiguidade da presença humana no Novo Mundo. Continue Lendo “Lapa do Santo: uma biografia arqueológica dos povos de Luzia”

A longa jornada evolutiva das plantas até os nossos pratos

Cientistas encontram fóssil de espécie próxima ao fisális moderno, datando de 52 milhões de anos atrás, em região da Patagônia conhecida popularmente como “o fim do mundo”

De onde vêm os vegetais que utilizamos na nossa alimentação? Essa é uma pergunta interessante, que frequentemente resulta em respostas curiosas. Por exemplo, o clássico brasileiro ‘feijão com arroz’, talvez o prato mais comido em todo o Brasil, tem histórias complexas. Vejamos:

O termo arroz se refere à semente de pelo menos sete espécies de gramíneas do gênero Oryza: O. sativa, O. glaberrima, O. barthii, O. latifolia, O. longistaminata, O. punctata e O. rufipogon. Apesar da diversificação da família das gramíneas (Poaceae) ter provavelmente acontecido em torno de 65 milhões de anos atrás, o gênero Oryza surgiu por volta de 10 milhões de anos. Continue Lendo “A longa jornada evolutiva das plantas até os nossos pratos”