Existem raças humanas?

Há séculos pesquisadores classificam humanos em raças. Essa classificação está por trás do racismo científico e tem imenso impacto em nossas vidas. Neste post, o primeiro de uma série tratando de raças humanas, examino o que geneticistas têm a dizer sobre a existência de raças em nossa espécie.

A variabilidade física de humanos salta aos olhos. Pessoas diferem umas das outras na estatura, no formato do rosto, na cor da pele, na cor do cabelo, para citar apenas alguns traços. Parte dessa variação tem uma distribuição geográfica marcante: a pele escura é mais comum entre Africanos, e inexistente entre os Europeus (excetuando, é claro, aqueles que migraram recentemente). Continue Lendo “Existem raças humanas?”

Separar o joio do trigo, a difícil tarefa de avaliar confiabilidade de conteúdo online

O senso comum assume que, como estudantes são experientes em mídias sociais e ferramentas digitais, seriam igualmente perspicazes em raciocinar sobre o conteúdo que encontram na Internet, mas o oposto de fato acontece, diz estudo.

Antes acostumados a fazer pesquisas em bibliotecas, estudantes passaram a enfrentar, com o advento da internet e a proliferação de conteúdo e ferramentas de buscas online, um grande desafio, avaliar a confiabilidade da informação. Quando fazemos uma pesquisa em uma biblioteca pública, ou de uma escola ou de uma universidade, temos uma certa confiança de que os livros ou revistas ali disponíveis passaram por uma série de critérios de seleção, que se refletem, então, na credibilidade das informações que oferecem. Continue Lendo “Separar o joio do trigo, a difícil tarefa de avaliar confiabilidade de conteúdo online”

Sinais com significados dependentes do contexto são símbolos usados por macacos

Em macacos, um mesmo sinal tem significados diferentes em contextos distintos e pode referir-se a algo abstrato: um padrão de subordinação nas relações sociais

Nossa capacidade de comunicação simbólica é sem dúvida impressionante. Basta olharmos para qualquer interação comunicativa entre humanos para ficarmos espantados com o que qualquer um de nós pode fazer com a linguagem. Esta capacidade é definidora de quem nós somos e está por trás de muito do que nossa espécie realizou ao longo da história. Continue Lendo “Sinais com significados dependentes do contexto são símbolos usados por macacos”

Uma simples pena complexa

A descoberta de fósseis de penas de dinossauro, combinado ao estudo do desenvolvimento embrionário das aves modernas, permite entender como as penas evoluíram.

Charles Darwin usou em A Origem das Espécies uma engenhosa estratégia argumentativa: discutiu antecipadamente possíveis objeções à sua teoria evolutiva. Uma das críticas antevista por ele foi a ausência de fósseis intermediários entre alguns dos principais grupos de seres vivos. Por exemplo, se as aves descendem de ancestrais que não eram aves (diz-se “não-avianos”), deveriam existir fósseis com características intermediárias entre as aves e seus ancestrais. Continue Lendo “Uma simples pena complexa”

Primatas não-humanos poderiam ter comunicação simbólica?

Embora seja comum admitir a existência de comunicação simbólica somente em humanos, uma série de estudos indica que animais não-humanos talvez utilizem símbolos

Esta postagem será a primeira de uma série que farei no Darwinianas sobre a possibilidade de comunicação simbólica em animais não-humanos. Começarei por um artigo muito interessante, publicado há quase uma década no periódico BioSystems pelos pesquisadores brasileiros Sidarta Ribeiro, Angelo Loula, Ivan de Araújo, Ricardo Gudwin e João Queiroz, Symbols are not uniquely human (Símbolos não são unicamente humanos). Continue Lendo “Primatas não-humanos poderiam ter comunicação simbólica?”

O BOM, O MAU E O FEIO

O mau uso da teoria evolutiva e a interpretação simplista de correlações estatísticas tem possibilitado o ressurgimento de estudos acadêmicos que relacionam características físicas com condutas morais ou éticas.

O número de piratas vem diminuindo desde o século XVIII, simultaneamente com o aumento da temperatura global. Dito de outra maneira, existe uma relação inversa entre o número de piratas no planeta e o aumento da temperatura global. Tal fato poderia ser explicado de três maneiras: Continue Lendo “O BOM, O MAU E O FEIO”

Explorando a matéria escura do genoma

Investigações recentes sobre RNAs não-codificantes seguem revelando aspectos intrigantes do genoma

Mês passado fiz um paralelo entre a proposta da matéria e da energia escura na cosmologia com achados na genética, biologia molecular e genômica indicando que nosso entendimento do genoma foi construído com base em menos de 2% das sequências de nucleotídeos do DNA, que correspondem aos genes que codificam proteínas. Continue Lendo “Explorando a matéria escura do genoma”