Evolução em ilhas: um jogo de histórias paralelas

Ilhas são microcosmos de história natural onde os processos evolutivos observados nos continentes são representados com mais clareza e, às vezes, repetidamente.

Quando Charles Darwin deu a volta ao mundo no navio Beagle, ilhas eram entrepostos essenciais para travessias oceânicas.  Várias das ilhas mais isoladas do mundo fizeram parte da sua rota: Canárias, Cabo Verde, Fernando de Noronha, Galápagos, Taiti, Nova Zelândia e muitas outras. Charles Darwin teve assim a rara oportunidade de explorar e comparar diferentes arquipélagos. Ele percebeu que as espécies que habitavam cada ilha, frequentemente, eram endêmicas, isto é, não estavam presentes em outros lugares. Notou também que elas se pareciam mais com as espécies presentes nas ilhas ou nos continentes próximos. Alguns anos mais tarde, Darwin chegou a conclusões que hoje são alicerces da biologia moderna: espécies migram, adaptam-se e originam novas espécies. As ilhas, mais do que qualquer outro lugar, mostravam estes processos em ação. Continue Lendo “Evolução em ilhas: um jogo de histórias paralelas”

O que você sabe sobre os besouros rola-bostas?

Os benefícios causados pela presença de rola-bostas em pastagens são estimados em 350 milhões de dólares nos EUA. Saiba o que esses besouros têm de tão valioso.

Besouros da subfamília Scarabaeinae (Coleoptera: Scarabaeidae) são popularmente conhecidos como escaravelhos ou rola-bostas, uma referência ao hábito de remover e manipular, em formato esférico, porções das fezes de mamíferos. Essas “bolas” de massa fecal são transportadas e enterradas em ninhos ou galerias cavadas pelos próprios rola-bostas, que as utilizarão para nidificação e alimentação de larvas e adultos (veja figura abaixo).

Ao observarem esse comportamento, associado à emersão de indivíduos jovens, os egípcios antigos passaram a utilizar escaravelhos como símbolos da ressureição, usando-os como amuletos e também esculpindo-os em tumbas e sarcófagos de grandes faraós. Continue Lendo “O que você sabe sobre os besouros rola-bostas?”

O futuro é um deserto

Estudos apontam que as florestas secas ocupam hoje uma área semelhante àquela ocupada pelas florestas úmidas, e sofrerão impacto significativo das mudanças climáticas até o final do século XXI.

Biomas de zonas áridas cobrem mais de 40% da superfície terrestre atualmente. Essas regiões caracterizam-se, principalmente pela falta de água, resultado de chuvas irregulares e escassas. Apesar da pouca importância dada a esses biomas, assunto discutido em uma postagem anterior (As Florestas Esquecidas), as zonas áridas abrigam 7 dos 25 hotspots de biodiversidade mundiais.  Continue Lendo “O futuro é um deserto”

De volta ao estado selvagem

O processo de desdomesticação de espécies, apesar de comum, é ainda muito pouco estudado e só agora seus mecanismos genéticos começam a ser desvendados.

A domesticação de espécies de interesse econômico é um processo muito antigo, através do qual o ser humano realiza o cruzamento de indivíduos com características desejáveis, a fim de melhorar a sua produtividade. Continue Lendo “De volta ao estado selvagem”

O fogo e a biodiversidade: os dois lados de uma mesma moeda

Há muito visto apenas como agente de destruição ambiental, o fogo é hoje entendido como importante agente de promoção de biodiversidade em alguns ecossistemas.

Quando falamos em fogo e meio ambiente, logo pensamos em destruição de habitat, morte de animais e plantas e até mesmo extinção de espécies. E não é para menos.  No ano de 2016, o INPE detectou, através do seu sistema de monitoramento de incêndios florestais por meio de imagens de satélite (mais especificamente o NOAA-15), mais de 164.000 (cento e sessenta e quatro mil) focos de incêndio apenas no Brasil.  Além da destruição ambiental, os incêndios florestais liberam para a atmosfera uma quantidade significativa de gás carbônico. Foi estimado que cerca de 50% do material queimado seja convertido em gases de efeito estufa, que dificultam (ou impedem) a dispersão da radiação solar refletida pela Terra e resultando em um aumento da temperatura atmosférica global. No ranking mundial, o Brasil está entre os principais países emissores desses gases e a modificação do uso da terra, decorrente do desmatamento de florestas para sua conversão em áreas de pastagem ou agricultura, é o principal fator, contribuindo com até 70% do total de emissões do país. Continue Lendo “O fogo e a biodiversidade: os dois lados de uma mesma moeda”

A longa jornada evolutiva das plantas até os nossos pratos

Cientistas encontram fóssil de espécie próxima ao fisális moderno, datando de 52 milhões de anos atrás, em região da Patagônia conhecida popularmente como “o fim do mundo”

De onde vêm os vegetais que utilizamos na nossa alimentação? Essa é uma pergunta interessante, que frequentemente resulta em respostas curiosas. Por exemplo, o clássico brasileiro ‘feijão com arroz’, talvez o prato mais comido em todo o Brasil, tem histórias complexas. Vejamos:

O termo arroz se refere à semente de pelo menos sete espécies de gramíneas do gênero Oryza: O. sativa, O. glaberrima, O. barthii, O. latifolia, O. longistaminata, O. punctata e O. rufipogon. Apesar da diversificação da família das gramíneas (Poaceae) ter provavelmente acontecido em torno de 65 milhões de anos atrás, o gênero Oryza surgiu por volta de 10 milhões de anos. Continue Lendo “A longa jornada evolutiva das plantas até os nossos pratos”

Picolé de pinheiro: Como os pinheiros resistem ao frio intenso?

Cientistas fazem estudo em escala genômica sobre adaptação ao frio entre espécies de pinheiros separadas há mais de 140 milhões de anos

Mesmo em condições ambientais semelhantes, é comum encontrarmos seres vivos muito diferentes, com estruturas que, apesar de distintas em suas origens, cumprem funções similares. Esse processo é conhecido como evolução convergente, ou convergência evolutiva. Em linhas gerais, evolução convergente é o nome dado ao processo que leva à evolução de características fenotípicas distintas que cumprem funções semelhantes em diferentes organismos, sob pressões ambientais semelhantes. São muitos os exemplos de evolução convergente na natureza. Mas um dos exemplos mais fascinantes de convergência evolutiva é a evolução da carnivoria em plantas. Hoje, é amplamente aceito que a capacidade de se alimentar de pequenos animais evoluiu de maneira independente pelo menos cinco vezes ao longo da história das angiospermas, nas ordens Ericales, Lamiales, Oxalidales, Poales e Caryophyllales, totalizando pelo menos 583 espécies de plantas carnívoras. Continue Lendo “Picolé de pinheiro: Como os pinheiros resistem ao frio intenso?”

Navegar é preciso

Longas rotas migratórias podem ser explicadas por mecanismos complementares em distintos níveis de organização

O domínio e aprimoramento da tecnologia de construção de grandes naus de madeira possibilitou grandes navegações, que levaram à expansão do mundo europeu a outros mundos, ao domínio de ameríndios, da Oceania, e da própria Antártica. Este domínio econômico foi possibilitado pela cartografia dos mares, das terras e dos céus, pelo uso de bússolas e sextantes, e pela energia e coragem de equipes de experientes marinheiros. Continue Lendo “Navegar é preciso”

As plantas e as mudanças climáticas: Como sobreviver em um ambiente em rápida e constante transformação?

Mudanças climáticas alteram a fisiologia de diversas espécies de plantas e influenciam a probabilidade de sobrevivência das espécies ao longo do tempo. Continue Lendo “As plantas e as mudanças climáticas: Como sobreviver em um ambiente em rápida e constante transformação?”

O mistério da pena vermelha no pica-pau amarelo

Cientistas descobriram que aparição de pica-paus com penas vermelhas na costa leste dos EUA foi causada pela introdução de amoras exóticas.

Stephen Jay Gould comentou, certa vez, como a compreensão de grandes questões da biologia depende da investigação minuciosa de detalhes aparentemente sem importância da história natural dos seres vivos. Charles Darwin, lembrava-nos Gould, amadureceu suas ideias revolucionarias escrevendo livros inteiros sobre cracas, orquídeas e minhocas. O próprio Gould, conhecido por suas opiniões ambiciosas sobre a teoria da evolução, dedicou vários anos da sua vida ao estudo da morfologia das conchas de caramujos das Ilhas Bermudas. Continue Lendo “O mistério da pena vermelha no pica-pau amarelo”