Interruptores moleculares e a diversidade das espécies

Ao olhar a diversidade dos organismos, naturalmente nos questionamos sobre a origem da riqueza das formas, dos tamanhos, das funções. Esta, no entanto, não é uma pergunta nova. Charles Darwin, assim como muitos antes dele, fez este mesmo questionamento e propôs que todas as espécies estão relacionadas umas às outras em uma única filogenia. Mas mesmo após seu trabalho, e por grande parte do século 20, pouco se sabia sobre as bases moleculares das diferenças entre as espécies.

François Jacob, um dos cientistas que construíram o primeiro modelo explicativo da regulação da transcrição, disse em uma de suas entrevistas que, quando iniciou sua carreira em biologia, nos anos 1950, a ideia predominante para explicar essas diferenças era de que as moléculas de um organismo eram diferentes das moléculas de outro organismo. Por exemplo, “vacas teriam moléculas de vacas, cabras teriam moléculas de cabras e cobras teriam moléculas de cobras”. 

Continue Lendo “Interruptores moleculares e a diversidade das espécies”

Sociedades individuais de indivíduos sociais

Apesar de nos sentirmos muitas vezes como gênios incompreendidos, nossa genialidade está no conjunto, que no mais das vezes é mais que a soma das partes

Ao invés de nos vangloriarmos de nossa inteligência pessoal, dos grandes gênios de nossa cultura, Darwin, Einstein, Machado de Assis, talvez ganhássemos mais se percebêssemos que gênios nascem onde são semeados, e que uma boa colheita requer muito investimento contínuo, em uma escala de tempo histórica.

Continue Lendo “Sociedades individuais de indivíduos sociais”

Dois cérebros para pensar: a evolução da inteligência em aves e mamíferos

Assim como nós, primatas, algumas aves brincam, resolvem problemas, usam ferramentas, aprendem a cantar e se reconhecem no espelho. Este nível de sofisticação comportamental, ausente em outros animais, evoluiu independentemente nas linhagens das aves e dos mamíferos. Quais mudanças no cérebro estão subjacentes à sua evolução? Continue Lendo “Dois cérebros para pensar: a evolução da inteligência em aves e mamíferos”

Para genomas, tamanho é documento?

Há 50 anos, pensava-se que a quantidade de DNA em um genoma tinha uma correlação positiva com a complexidade de um organismo, ou seja, quanto mais complexa fosse uma espécie, mais DNA era necessário para armazenar aquelas informações que seriam traduzidas em fenótipos hierarquicamente mais complexos. O que pensamos hoje dessa ideia? Continue Lendo “Para genomas, tamanho é documento?”

O sono da civilização

Retrospectiva 2017

Darwinianas

De criança, sonhava sempre. Sonhos elaborados, com começo meio e fim, animados, e emocionantes, como um cinema mudo colorido onde tudo é em primeira pessoa. Assim como os filmes hoje em dia, meus sonhos vinham também em uma sequência progressiva de histórias concatenadas. Voar, por exemplo, era tema frequente, e o fim do sonho de ontem era, invariavelmente, o começo do de hoje, e assim voava cada dia mais alto, mais longe, e mais seguro, nestas minhas lições noturnas de autonomia.

Ver o post original 1.408 mais palavras

Brasis: Diversidade e Evolução da População Brasileira

Retrospectiva 2017

Darwinianas

A população brasileira se distingue da dos demais países latino americanos. Tal diferenciação é resultado do intrincado processo de colonização e ocupação do território brasileiro. Historicamente, são três os principais fatores que tornam a população brasileira única dentro da América Latina.

Ver o post original 1.106 mais palavras

Existem raças humanas?

Retrospectiva 2017: os mais lidos do ano.

Darwinianas

A variabilidade física de humanos salta aos olhos. Pessoas diferem umas das outras na estatura, no formato do rosto, na cor da pele, na cor do cabelo, para citar apenas alguns traços. Parte dessa variação tem uma distribuição geográfica marcante: a pele escura é mais comum entre Africanos, e inexistente entre os Europeus (excetuando, é claro, aqueles que migraram recentemente).

Ver o post original 1.422 mais palavras

Cérebros sociais ou sociedades cerebrais?

Mini-cérebros podem se unir em superpoderosos mega-processadores biológicos?

No que depender das neurociências, parece que nem Pink, nem o Cérebro, os inesquecíveis ratos brancos dos laboratórios ACME, conseguirão conquistar o mundo. Dominar o mundo é coisa séria, e para viver em ambientes diferentes como Tundra, Taiga, Floresta Temperada, Floresta Tropical, Savana, Pradaria, Caatinga e Deserto, um ser vivo precisa ser capaz de se ajustar a muitas situações distintas. É coisa de gente grande, e não de rato pequeno. Continue Lendo “Cérebros sociais ou sociedades cerebrais?”

Alan Turing na palma da mão

A repetição de formas simples produz alguns dos padrões mais belos da natureza. Pintas na pele das onças e listras na pele das zebras, por exemplo. Há 65 anos, o matemático inglês Alan Turing propôs modelos para explicar estas formas periódicas. Hoje, com a ajuda dos computadores modernos, vemos que eles podem explicar mais do que esperávamos, incluindo o desenvolvimento e a evolução dos nossos dedos.

Continue Lendo “Alan Turing na palma da mão”

Puns, baratas, chocolate e vacinas têm algo em comum e você não vai acreditar!

“Cientistas fazem uma grande revelação e você não vai acreditar!” Essa fórmula para gerar manchetes de divulgação já deve ser bastante familiar para os assíduos das redes sociais. Elas estão repletas das descobertas mais estranhas supostamente feitas por cientistas, como “cientistas revelam que o cérebro humano é programado para beijar”; “cientistas descobrem em que horário é melhor tomar banho”; “cientistas revelam quem é a mulher com o corpo mais perfeito do mundo”; “cientistas descobrem que filhos herdam inteligência exclusivamente da mãe, e não do pai!”; ou até “cheiro de flatulência pode ajudar no tratamento de câncer, diz estudo”. Essas matérias com títulos chamativos são compartilhadas milhares de vezes, mas será que cientistas realmente fizeram essas descobertas?

Há alguns anos, inúmeros veículos de notícias relataram que cheirar puns poderia reduzir o risco de enfermidades como câncer, ataque do coração, infartos, disfunção erétil, artrite e demência. No entanto, não é possível encontrar nenhuma dessas informações no artigo científico ao qual as matérias se referem. Em sua pesquisa, o grupo liderado pelo Dr. Matthew Whiteman, da Universidade de Exeter, desenvolveu uma molécula chamada AP39, utilizada para aumentar os níveis de sulfeto de hidrogênio nas mitocôndrias. 

Continue Lendo “Puns, baratas, chocolate e vacinas têm algo em comum e você não vai acreditar!”