Sinais com significados dependentes do contexto são símbolos usados por macacos

Em macacos, um mesmo sinal tem significados diferentes em contextos distintos e pode referir-se a algo abstrato: um padrão de subordinação nas relações sociais

Nossa capacidade de comunicação simbólica é sem dúvida impressionante. Basta olharmos para qualquer interação comunicativa entre humanos para ficarmos espantados com o que qualquer um de nós pode fazer com a linguagem. Esta capacidade é definidora de quem nós somos e está por trás de muito do que nossa espécie realizou ao longo da história. Continue Lendo “Sinais com significados dependentes do contexto são símbolos usados por macacos”

Uma simples pena complexa

A descoberta de fósseis de penas de dinossauro, combinado ao estudo do desenvolvimento embrionário das aves modernas, permite entender como as penas evoluíram.

Charles Darwin usou em A Origem das Espécies uma engenhosa estratégia argumentativa: discutiu antecipadamente possíveis objeções à sua teoria evolutiva. Uma das críticas antevista por ele foi a ausência de fósseis intermediários entre alguns dos principais grupos de seres vivos. Por exemplo, se as aves descendem de ancestrais que não eram aves (diz-se “não-avianos”), deveriam existir fósseis com características intermediárias entre as aves e seus ancestrais. Continue Lendo “Uma simples pena complexa”

Navegar é preciso

Longas rotas migratórias podem ser explicadas por mecanismos complementares em distintos níveis de organização

O domínio e aprimoramento da tecnologia de construção de grandes naus de madeira possibilitou grandes navegações, que levaram à expansão do mundo europeu a outros mundos, ao domínio de ameríndios, da Oceania, e da própria Antártica. Este domínio econômico foi possibilitado pela cartografia dos mares, das terras e dos céus, pelo uso de bússolas e sextantes, e pela energia e coragem de equipes de experientes marinheiros. Continue Lendo “Navegar é preciso”

As roupas novas do gene

A compreensão atual dos sistemas genômicos nos distancia da visão poderosa que a dupla hélice e o dogma central da biologia molecular nos propiciaram, e nos lançam na aventura de encontrar uma nova visão, que seja igualmente poderosa

Em 1953, James Watson (1928-) e Francis Crick (1916-2004) apresentaram um modelo que explicou a estrutura do DNA, o modelo da dupla hélice, que estabeleceu esta molécula como a base da herança biológica. Como discute Rudolf Hausmann, em seu livro sobre a história da biologia molecular, até a publicação do modelo da dupla hélice, ainda havia debate na comunidade científica sobre qual molécula presente no cromossomo seria a base da herança, o DNA ou as proteínas. Foi somente então que, uma vez estabelecido o DNA como base material da herança, uma visão realista sobre o gene, como uma unidade estrutural e funcional que era parte dessa molécula, ganhou larga aceitação.
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Sexo é bom (para o genoma)

Novos experimentos mostram que o preço pago por engajar em reprodução sexual é compensando por vantagens evolutivas

A ideia de que o sexo faz parte da reprodução é algo tão natural para nós que podemos esquecer que há muitas outras formas de reprodução. A reprodução sexual é o processo que resulta na geração de novos seres vivos através da união de dois gametas, geralmente vindos de indivíduos diferentes.  Mas a reprodução pode também ocorrer sem sexo: na partenogênese um óvulo não fecundado se desenvolve, gerando um adulto. Na propagação vegetativa, grupos de células originam novos seres, algo que ocorre, por exemplo, em plantas que podemos propagar a partir de um pedaço de caule ou de folha.  Nesses casos, há reprodução sem sexo, ou assexual. Continue Lendo “Sexo é bom (para o genoma)”

O mistério da pena vermelha no pica-pau amarelo

Cientistas descobriram que aparição de pica-paus com penas vermelhas na costa leste dos EUA foi causada pela introdução de amoras exóticas.

Stephen Jay Gould comentou, certa vez, como a compreensão de grandes questões da biologia depende da investigação minuciosa de detalhes aparentemente sem importância da história natural dos seres vivos. Charles Darwin, lembrava-nos Gould, amadureceu suas ideias revolucionarias escrevendo livros inteiros sobre cracas, orquídeas e minhocas. O próprio Gould, conhecido por suas opiniões ambiciosas sobre a teoria da evolução, dedicou vários anos da sua vida ao estudo da morfologia das conchas de caramujos das Ilhas Bermudas. Continue Lendo “O mistério da pena vermelha no pica-pau amarelo”

A metade oculta do ecossistema Devoniano

Cientistas descrevem o mais antigo registro de paleossolo com rizomas de plantas vasculares e propõem um importante papel para essas estruturas na estabilização dos solos há 400 milhões de anos.

 

As consequências da erosão dos solos, principalmente devido à ação da água, são largamente conhecidas, assim como sabemos também do papel da vegetação na redução das taxas de erosão. Sabemos que as taxas de erosão do solo decrescem exponencialmente com o aumento da cobertura vegetal e, pelo menos desde 2005, tornou-se inequívoca a contribuição das raízes na diminuição das taxas de erosão do solo.  Apesar dos avanços nos conhecimentos sobre as contribuições recentes da vegetação na formação e estabilização do solo, ainda sabemos pouco sobre a contribuição da cobertura vegetal para o estabelecimento e a evolução dos solos ao longo da história da Terra. Continue Lendo “A metade oculta do ecossistema Devoniano”