Primatas não-humanos poderiam ter comunicação simbólica?

Embora seja comum admitir a existência de comunicação simbólica somente em humanos, uma série de estudos indica que animais não-humanos talvez utilizem símbolos

Esta postagem será a primeira de uma série que farei no Darwinianas sobre a possibilidade de comunicação simbólica em animais não-humanos. Começarei por um artigo muito interessante, publicado há quase uma década no periódico BioSystems pelos pesquisadores brasileiros Sidarta Ribeiro, Angelo Loula, Ivan de Araújo, Ricardo Gudwin e João Queiroz, Symbols are not uniquely human (Símbolos não são unicamente humanos). Continue Lendo “Primatas não-humanos poderiam ter comunicação simbólica?”

Explorando a matéria escura do genoma

Investigações recentes sobre RNAs não-codificantes seguem revelando aspectos intrigantes do genoma

Mês passado fiz um paralelo entre a proposta da matéria e da energia escura na cosmologia com achados na genética, biologia molecular e genômica indicando que nosso entendimento do genoma foi construído com base em menos de 2% das sequências de nucleotídeos do DNA, que correspondem aos genes que codificam proteínas. Continue Lendo “Explorando a matéria escura do genoma”

Dois significados de “gene” e o determinismo genético

A confusão entre dois significados distintos de gene favorece ideias deterministas genéticas.

É muito comum nos depararmos com a afirmação de que foi encontrado algum “gene para” uma característica. Essa afirmação não tem lugar apenas quando falamos de doenças monogênicas (que envolvem somente um gene), como, por exemplo, a fenilcetonúria, mas também em relação a características complexas, como inteligência, agressividade ou até mesmo felicidade. Para a maioria das pessoas, quando falamos em um gene “para” alguma característica, estamos dizendo que o gene determina a característica. Ou seja, estamos assumindo uma visão determinista genética. Continue Lendo “Dois significados de “gene” e o determinismo genético”

Para conservar a natureza, é preciso confiança

Três estudos mostram que relações de confiança com comunidades locais têm papel importante na conservação ambiental

Neste semestre, estamos envolvidos num tipo inovador de disciplina, criado na Reitoria de Felippe Serpa, na Universidade Federal da Bahia: Atividade Curricular em Comunidade e Sociedade (ACCS). A ideia é engajar estudantes, sob orientação de docentes, em iniciativas que lidam com uma diversidade de questões sociais. É um bom exemplo de como é falsa a ideia de que as universidades públicas brasileiras contribuem pouco para a sociedade. Continue Lendo “Para conservar a natureza, é preciso confiança”

Um Olhar Histórico Sobre a Ciência da Resiliência

Desde sua origem ciência da resiliência busca aproximar pesquisa socioecológica da política e tomada de decisão

A chamada ciência da resiliência tem sido considerada uma moldura teórica poderosa para a compreensão e gestão da dinâmica de sistemas socioecológicos (ver sumário acessível de suas ideias centrais em What is resilience?, publicação do Stockholm Resilience Centre).  Continue Lendo “Um Olhar Histórico Sobre a Ciência da Resiliência”

Eucarioto sem mitocôndrias não refuta mas apoia teoria endossimbiótica

Desde a educação básica, aprendemos como distinguir procariontes e eucariontes. Procariontes incluem bactérias e arqueas, organismos cujo genoma se resume a um único cromossomo circular, que não se encontra num núcleo separado do citoplasma. Eucariontes têm mais de um cromossomo linear, dentro de um núcleo separado do citoplasma por uma membrana dupla. Procariontes têm ribossomos e citoesqueleto, que são distintos daqueles dos eucariontes, e não possuem organelas com membrana.  Continue Lendo “Eucarioto sem mitocôndrias não refuta mas apoia teoria endossimbiótica”

Indicadores precoces de mudanças críticas são importantes para gestão de sistemas socioecológicos

Sinais ou indicadores de pontos críticos nos quais mudanças catastróficas podem ocorrer são muito importantes na gestão de sistemas socioecológicos.

Não é difícil reconhecer a importância de saber se uma sociedade está ameaçada por alguma mudança catastrófica. Por exemplo, se mudança no comportamento de reservatórios pode interromper, súbita e drasticamente, o fornecimento de água, como ocorreu na cidade de São Paulo (ver artigo de pesquisadores da UNESP e da USP a este respeito aqui). Para entender tais mudanças, temos de considerar a relação íntima entre nossas sociedades e os sistemas e processos ecológicos. Isso torna mais produtivo pensar em sistemas socioecológicos, sem separações que ainda dominam discursos sobre sociedade e natureza.  Continue Lendo “Indicadores precoces de mudanças críticas são importantes para gestão de sistemas socioecológicos”