As aranhas são animais fascinantes que habitam não só nossas casas e jardins, mas também nossas histórias e os piores pesadelos de muita gente. Uma aranha salvou um porquinho em um livro infantil. Outras são vilões em filmes de terror. Elas até tiveram seu genoma misturado ao de um adolescente para criar um dos super-heróis mais populares entre as crianças. Essa popularidade, no entanto, não era notada nos estudos genômicos e evolutivos. Até agora
Autor: Darwinianas
Este corpo mente
Conversar livremente com animais, como Alice, no país das maravilhas, é um sonho para muitos. Para o filósofo da mente, no entanto, traduzir as mentes animais mais se assemelha a um pesadelo, à vida em um eterno labirinto de incompreensões.
Afinal de contas o que significa possuir uma mente? É comum ouvirmos que animais são irracionais. Decorreria daí, por exemplo, que eles não possuiriam mente? Ou seria ainda pior, e para termos mente, teríamos mesmo é que ter consciência, e nesse caso correríamos o risco de ver metade do congresso nacional subitamente despossuído de mente? Continue Lendo “Este corpo mente”
A evolução de uma mosca vegetariana
Sabe aquela mosquinha minúscula que pousa na fruteira quando as frutas estão maduras? Ela não está lá para comer as frutas, mas sim para que suas larvas possam comer as leveduras e outros microrganismos que crescerão quando a fruta estiver podre. Como a maioria das moscas, ela não se alimenta de vegetais. Digo maioria, pois algumas espécies da mesma família tornaram-se herbívoras. Como? Continue Lendo “A evolução de uma mosca vegetariana”
CRISPR-Cas: o corretor ortográfico de genomas
Cura de doenças, aumento da longevidade e bebês sob medida criados em laboratório. O que antes parecia um roteiro de ficção científica, agora está muito mais próximo de nossa realidade. As ferramentas para cortar, colar e substituir pedaços de genomas já estão disponíveis e cada vez mais precisas, baratas e fáceis de empregar.
Inspiração nos sistemas de defesa bacterianos
A Conferência de Asilomar sobre o DNA recombinante, em 1975, reuniu mais de cem cientistas, médicos e advogados para discutir os riscos potenciais da manipulação genética e estabelecer normas para sua utilização. Pouco antes, cientistas haviam descoberto um sistema de defesa das bactérias contra os bacteriófagos, seus patógenos virais. As bactérias produzem enzimas (endonucleases) capazes de cortar genomas virais em pequenos pedaços. Essas enzimas foram isoladas e utilizadas para cortar sequências de DNA de diferentes fontes não bacterianas (inclusive o genoma humano). Os fragmentos eram ligados a outros por uma outra enzima, a DNA ligase. Assim começou a tecnologia do DNA recombinante e um período de avanços sem precedentes no conhecimento sobre genes, genomas e suas aplicações, que vão desde a obtenção de transgênicos até a produção de medicamentos e vacinas. Continue Lendo “CRISPR-Cas: o corretor ortográfico de genomas”
Ser ou pertencer: eis a questão
Socialidade começa de forma simples, induzida por forças organizadoras ecológicas que intensificam as interações sociais, dando oportunidade para o surgimento de variados experimentos sociais naturais
O filósofo francês Jean Paul Sartre costumava dizer que ‘o inferno são os outros’. Viver em sociedade parece ser aquilo que nos transformou em humanos, mas conviver com outros requer muita paciência. As regras de convívio impõem limites à nossa tão preciosa liberdade, e a estratificação social escancara uma injustiça contra a qual toda rebelião é pequena, e o status quo impera novamente sob um horizonte de distantes harmonias sociais. Continue Lendo “Ser ou pertencer: eis a questão”
Evolução em ilhas: um jogo de histórias paralelas
Ilhas são microcosmos de história natural onde os processos evolutivos observados nos continentes são representados com mais clareza e, às vezes, repetidamente.
Quando Charles Darwin deu a volta ao mundo no navio Beagle, ilhas eram entrepostos essenciais para travessias oceânicas. Várias das ilhas mais isoladas do mundo fizeram parte da sua rota: Canárias, Cabo Verde, Fernando de Noronha, Galápagos, Taiti, Nova Zelândia e muitas outras. Charles Darwin teve assim a rara oportunidade de explorar e comparar diferentes arquipélagos. Ele percebeu que as espécies que habitavam cada ilha, frequentemente, eram endêmicas, isto é, não estavam presentes em outros lugares. Notou também que elas se pareciam mais com as espécies presentes nas ilhas ou nos continentes próximos. Alguns anos mais tarde, Darwin chegou a conclusões que hoje são alicerces da biologia moderna: espécies migram, adaptam-se e originam novas espécies. As ilhas, mais do que qualquer outro lugar, mostravam estes processos em ação. Continue Lendo “Evolução em ilhas: um jogo de histórias paralelas”
O que os marsupiais nos ensinam sobre a evolução da gravidez
O que um tornozelo inchado e uma gravidez têm em comum? Acredite ou não, ambos estão intimamente ligados às respostas inflamatórias
A inflamação é a primeira reação do sistema imune à presença de uma lesão ou infecção. Caracteriza-se por inchaço local, febre e dor. Curiosamente, a inflamação também é fundamental para o começo e o fim da gravidez, pois facilita a implantação do embrião no útero da mãe e o nascimento do bebê (a inflamação no momento da implantação pode ser uma das causas das náuseas que muitas mulheres sentem no começo da gravidez). Continue Lendo “O que os marsupiais nos ensinam sobre a evolução da gravidez”
Tem cheiro (e gosto) de evolução no ar
Nossas preferências alimentares são fortemente influenciadas pela nossa cultura. Mas, mesmo antes do surgimento de civilizações, homens já escolhiam seus alimentos da mesma forma que os outros animais. A escolha de nossos alimentos depende também de nossos genes, ou melhor, das versões dos genes que carregamos.
Em 1931, um químico chamado Arthur L. Fox utilizava em seu laboratório um produto químico em pó chamado feniltiocarbamida (abreviado como PTC). Acidentalmente, deixou um pouco do produto escapar enquanto o manipulava. Fox e seu colega, C.R. Noller, ingeriram um pouco do ar contendo PTC. Noller salientou o quão amargo era o pó e Fox ficou surpreso pois, apesar de estar muito mais próximo do produto, não sentiu nenhum gosto. Ambos experimentaram o pó novamente e Noller insistiu que ele era extremamente amargo enquanto Fox reiterava que não sentia nenhum sabor. Intrigado com a diferença, Fox distribuiu cristais de PTC a seus amigos e familiares e perguntou se eles sentiam algum gosto. Algumas pessoas, como Fox, não sentiam gosto algum; outros o descreviam com amargo. Rapidamente, o relato de Fox atraiu atenção de geneticistas que mostraram que a sensibilidade ao PTC tinha um componente genético – as pessoas tinham uma maior probabilidade de sentir o gosto de PTC se outros membros de sua família também o sentiam. Continue Lendo “Tem cheiro (e gosto) de evolução no ar”
O sono da civilização
O sono tem muitas funções e pode ser um dos motores de nossa evolução ao propiciar tempo livre e um rico imaginário para nossas inovações
De criança, sonhava sempre. Sonhos elaborados, com começo meio e fim, animados, e emocionantes, como um cinema mudo colorido onde tudo é em primeira pessoa. Assim como os filmes hoje em dia, meus sonhos vinham também em uma sequência progressiva de histórias concatenadas. Voar, por exemplo, era tema frequente, e o fim do sonho de ontem era, invariavelmente, o começo do de hoje, e assim voava cada dia mais alto, mais longe, e mais seguro, nestas minhas lições noturnas de autonomia. Continue Lendo “O sono da civilização”
O que você sabe sobre os besouros rola-bostas?
Os benefícios causados pela presença de rola-bostas em pastagens são estimados em 350 milhões de dólares nos EUA. Saiba o que esses besouros têm de tão valioso.
Besouros da subfamília Scarabaeinae (Coleoptera: Scarabaeidae) são popularmente conhecidos como escaravelhos ou rola-bostas, uma referência ao hábito de remover e manipular, em formato esférico, porções das fezes de mamíferos. Essas “bolas” de massa fecal são transportadas e enterradas em ninhos ou galerias cavadas pelos próprios rola-bostas, que as utilizarão para nidificação e alimentação de larvas e adultos (veja figura abaixo).
Ao observarem esse comportamento, associado à emersão de indivíduos jovens, os egípcios antigos passaram a utilizar escaravelhos como símbolos da ressureição, usando-os como amuletos e também esculpindo-os em tumbas e sarcófagos de grandes faraós. Continue Lendo “O que você sabe sobre os besouros rola-bostas?”