Nossos irmãos invertebrados

Os parentes mais próximos dos vertebrados são os tunicados, invertebrados marinhos que simplificaram seu genoma e sua morfologia durante a evolução.

Classificar é organizar em categorias seguindo certos critérios. Classificamos como planetas os corpos celestes esféricos que orbitam estrelas. Classificamos como lixo eletrônico os correios que não nos interessam. Em biologia, usamos o critério de parentesco (ou filogenético) para classificar as espécies. Identificamos linhagens e unimos parentes em uma imensa genealogia que chamamos de árvore da vida.

Às vezes é fácil. Nós, por exemplo, somos primatas e mamíferos. Somos também vertebrados e temos um ancestral comum mais próximo aos peixes, anfíbios e répteis do que a outros animais. Mas antes disso? Quais invertebrados são nossos parentes mais próximos? Quem é nosso grupo-irmão invertebrado? Continue Lendo “Nossos irmãos invertebrados”

O que não mata, seleciona

Baratas que evitam açúcar para fugir de pesticidas, larvas de moscas que passam fome para não se intoxicar e mosquitos que deixam de picar dentro das casas para fazer refeições ao ar livre. Estas e outras histórias mostram o papel da evolução nas nossas interações com outras espécies.

A domesticação de plantas e animais, iniciada há mais de 10 mil anos, é um dos marcos mais importantes na nossa história e foi responsável pela reestruturação de nossa sociedade. Nesse processo, outras espécies também tiveram uma profunda alteração em sua demografia e estrutura genética: as espécies que, de uma perspectiva focada nos interesses humanos, chamamos de pragas. Continue Lendo “O que não mata, seleciona”

Macacos universais e a cognição nossa de cada dia

Macacos e humanos compartilham área cerebral para processamento de informação sobre interações sociais.

Ser ou não ser um macaco, foi a questão de sempre que não quer calar nunca, na ciência, na religião, na vida. Darwin acertou em cheio quando colocou o dedo nesta chaga exposta, retirando o ser humano de sua confortável posição, ali no centro da criação, perfurando nosso inflado ego, que já havia sido avariado por Copérnico (que retirou nossa casa do centro do sistema solar e do universo), e sendo seguido por Freud, que retirou nossa consciência do centro nevrálgico de nossas tão louvadas racionais decisões. O estrago foi tamanho que a chaga continua exposta, apesar dos inúmeros curativos e cuidados a ela dedicados. Uma das últimas fronteiras nesta batalha entre macacos e humanos é a neurociência. Será que nosso cérebro, para além de nossa genética, é semelhante em morfologia e funcionamento ao cérebro de nossos irmãos macacos? Continue Lendo “Macacos universais e a cognição nossa de cada dia”

A Evolução da Placenta

Cientistas usam a evolução da placenta como um modelo para entender como órgãos complexos se originam.

Considerando como os vertebrados diferem uns dos outros, é surpreendente que todos possuam internamente o mesmo conjunto de órgãos. Galinhas, peixes, seres humanos – todos têm corações, fígados, cérebros, rins e assim por diante. Cada um destes órgãos executa um conjunto especializado de funções.

Como esses órgãos evoluíram é um problema complicado de investigar, pois suas origens são muito antigas. Todos os órgãos dos vertebrados estavam presentes antes do surgimento dos primeiros vertebrados na Terra, há mais de 500 milhões de anos. E os pesquisadores sabem que alguns desses órgãos apareceram pela primeira vez ainda mais cedo. Por exemplo, o sistema nervoso pode preceder o ancestral comum mais recente de todos os animais, pois foi identificado em ctenóforos, organismos marinhos similares a águas-vivas, que pertencem a uma linhagem que se separou de todos os outros animais há mais de 600 milhões de anos. Continue Lendo “A Evolução da Placenta”

Embriões transparentes

Cientistas franceses criaram um banco de imagens com cerca de 1,5 milhão de fotografias fluorescentes de embriões humanos que servirão como referência para futuros estudos

A investigação da anatomia humana está estreitamente associada à capacidade de representar e intercambiar observações. Por muito tempo, isso significou desenhar e pintar corpos dissecados. Anatomistas clássicos como Andreas Vesalius, por exemplo, inovaram pela complexidade dos desenhos e grandes pintores como Da Vinci e Michelangelo também produziram desenhos anatômicos. Não por acaso, a anatomia moderna floresceu com a invenção da imprensa, pois ela possibilitou a difusão de desenhos e minimizou a necessidade do estudo direto de cadáveres, um procedimento sujeito a questionamentos socioculturais, religiosos e morais. Continue Lendo “Embriões transparentes”

O voo da ema

DNA de aves extintas indica que os ancestrais das emas, avestruzes e kiwis chegaram voando aos seus respectivos continentes e só depois perderam a capacidade de voar

A aceitação da deriva continental, a teoria de que os continentes se movem, ocorreu surpreendentemente tarde. A proposta original de Alfred Wegener, em 1912, tornou-se prevalente entre cientistas apenas cinco décadas mais tarde, revolucionando muitas áreas da ciência, incluindo o entendimento da distribuição dos seres vivos na Terra.

Muitos dos argumentos usados a favor da deriva continental foram biogeográficos, pois a teoria permitia explicar como vários grupos de animais e plantas possuem seus parentes mais próximos em continentes atualmente separados por oceanos. Por exemplo, marsupiais e araucárias na Austrália e na América do Sul. Continue Lendo “O voo da ema”

Desníveis de organização global

Sociedades humanas globalizadas precisam de novos modelos matemáticos para regular seu crescimento e ancorar seu livre sonhar

Com o advento das redes sociais, migramos definitivamente de uma sociedade formatada por classes sociais, para outra formatada por grupos identitários fragmentários, constituídos a partir de fatores de coesão relativamente transitórios. Continue Lendo “Desníveis de organização global”

Lapa do Santo: uma biografia arqueológica dos povos de Luzia

Escavações arqueológicas na região de Lagoa Santa em Minas Gerais revelam como viviam os primeiros brasileiros.

Em 1836, na região de Lagoa Santa em Minas Gerais, o naturalista dinamarquês Peter Wilhelm Lund foi contraposto àquilo que seria a maior surpresa de sua vida. Na gruta do Sumidouro, ele encontrou os restos mortais de seres humanos junto a ossos fossilizados de animais extintos. Conectava-se, assim, o tempo presente com aquilo que se pensava constituir um mundo pré-diluviano e, ao mesmo tempo, confirmava-se a antiguidade da presença humana no Novo Mundo. Continue Lendo “Lapa do Santo: uma biografia arqueológica dos povos de Luzia”

Picolé de pinheiro: Como os pinheiros resistem ao frio intenso?

Cientistas fazem estudo em escala genômica sobre adaptação ao frio entre espécies de pinheiros separadas há mais de 140 milhões de anos

Mesmo em condições ambientais semelhantes, é comum encontrarmos seres vivos muito diferentes, com estruturas que, apesar de distintas em suas origens, cumprem funções similares. Esse processo é conhecido como evolução convergente, ou convergência evolutiva. Em linhas gerais, evolução convergente é o nome dado ao processo que leva à evolução de características fenotípicas distintas que cumprem funções semelhantes em diferentes organismos, sob pressões ambientais semelhantes. São muitos os exemplos de evolução convergente na natureza. Mas um dos exemplos mais fascinantes de convergência evolutiva é a evolução da carnivoria em plantas. Hoje, é amplamente aceito que a capacidade de se alimentar de pequenos animais evoluiu de maneira independente pelo menos cinco vezes ao longo da história das angiospermas, nas ordens Ericales, Lamiales, Oxalidales, Poales e Caryophyllales, totalizando pelo menos 583 espécies de plantas carnívoras. Continue Lendo “Picolé de pinheiro: Como os pinheiros resistem ao frio intenso?”

Um Éden gelado

Impacto de meteoro que causou a extinção dos dinossauros há 66 milhões de anos reduziu drasticamente a temperatura de todos os continentes, abrindo caminho para a diversificação das aves e mamíferos modernos.

Em uma das primeiras tentativas de explicar a distribuição das espécies na Terra, o taxonomista sueco Carolus Linnaeus propôs, em 1744, que o jardim do Éden seria uma ilha na região equatorial de onde todos os seres vivos se dispersaram após o dilúvio. Os seres vivos que habitavam o litoral cálido da ilha viriam a povoar as regiões tropicais da Terra, enquanto que os que habitavam o interior montanhoso migrariam para as regiões temperadas e polares. Continue Lendo “Um Éden gelado”