Sinais com significados dependentes do contexto são símbolos usados por macacos

Em macacos, um mesmo sinal tem significados diferentes em contextos distintos e pode referir-se a algo abstrato: um padrão de subordinação nas relações sociais

Nossa capacidade de comunicação simbólica é sem dúvida impressionante. Basta olharmos para qualquer interação comunicativa entre humanos para ficarmos espantados com o que qualquer um de nós pode fazer com a linguagem. Esta capacidade é definidora de quem nós somos e está por trás de muito do que nossa espécie realizou ao longo da história. Continue Lendo “Sinais com significados dependentes do contexto são símbolos usados por macacos”

Primatas não-humanos poderiam ter comunicação simbólica?

Embora seja comum admitir a existência de comunicação simbólica somente em humanos, uma série de estudos indica que animais não-humanos talvez utilizem símbolos

Esta postagem será a primeira de uma série que farei no Darwinianas sobre a possibilidade de comunicação simbólica em animais não-humanos. Começarei por um artigo muito interessante, publicado há quase uma década no periódico BioSystems pelos pesquisadores brasileiros Sidarta Ribeiro, Angelo Loula, Ivan de Araújo, Ricardo Gudwin e João Queiroz, Symbols are not uniquely human (Símbolos não são unicamente humanos). Continue Lendo “Primatas não-humanos poderiam ter comunicação simbólica?”

O que os macacos-prego podem nos dizer sobre a pré-história?

Macacacos-prego produzem não intencionalmente lascas que apresentam diversas características daquelas produzidas pelos primeiros hominíneos da idade da pedra

O Parque Nacional da Serra da Capivara é mundialmente conhecido por seus mais de mil sítios arqueológicos, nos quais têm sido feitos diversos estudos que estão mudando a história da chegada da espécie humana no continente americano, colocando em xeque a teoria da Cultura Clóvis e promovendo uma das disputas científicas mais discutidas nas últimas décadas. Continue Lendo “O que os macacos-prego podem nos dizer sobre a pré-história?”

Navegar é preciso

Longas rotas migratórias podem ser explicadas por mecanismos complementares em distintos níveis de organização

O domínio e aprimoramento da tecnologia de construção de grandes naus de madeira possibilitou grandes navegações, que levaram à expansão do mundo europeu a outros mundos, ao domínio de ameríndios, da Oceania, e da própria Antártica. Este domínio econômico foi possibilitado pela cartografia dos mares, das terras e dos céus, pelo uso de bússolas e sextantes, e pela energia e coragem de equipes de experientes marinheiros. Continue Lendo “Navegar é preciso”

O mistério da pena vermelha no pica-pau amarelo

Cientistas descobriram que aparição de pica-paus com penas vermelhas na costa leste dos EUA foi causada pela introdução de amoras exóticas.

Stephen Jay Gould comentou, certa vez, como a compreensão de grandes questões da biologia depende da investigação minuciosa de detalhes aparentemente sem importância da história natural dos seres vivos. Charles Darwin, lembrava-nos Gould, amadureceu suas ideias revolucionarias escrevendo livros inteiros sobre cracas, orquídeas e minhocas. O próprio Gould, conhecido por suas opiniões ambiciosas sobre a teoria da evolução, dedicou vários anos da sua vida ao estudo da morfologia das conchas de caramujos das Ilhas Bermudas. Continue Lendo “O mistério da pena vermelha no pica-pau amarelo”

As múltiplas faces de uma infecção viral

Infecção por vírus aumenta atração de polinizadores e pode levar a aumento da produtividade em cultivos agrícolas

As plantas, assim como os animais, são susceptíveis a infecções virais. O Vírus do Mosaico do Pepino (Cucumber Mosaic Virus, CMV) está entre os 10 mais importantes, tanto científica quanto economicamente. A despeito do nome, o CMV afeta mais de 1.200 espécies de plantas de mais de 100 famílias, tanto de monocotiledôneas quanto de eudicotiledôneas.   Continue Lendo “As múltiplas faces de uma infecção viral”

(in)corpóreo

Evolução da linguagem mostra continuidade evolutiva entre mente e corpo, que não devem ser considerados atributos independentes de um organismo

Temos certeza que comandamos nosso corpo. Temos portantocerteza que há nós, e há ele, o corpo, e isso se reflete em muito do que dizemos ou fazemos no dia a dia. Essa certeza inaugura uma divisão primeira entre o corpo, matéria bruta ignorante, e a mente, prodígio do raciocínio que pode nos elevar acima e levar além.  Continue Lendo “(in)corpóreo”