Selecionados por um furacão

Cientistas americanos e europeus tinham finalizado um estudo na população de um pequeno lagarto nas Ilhas Turcas e Caicos, no Caribe, quando os furações Irma e Maria devastaram a região, em 2017.

Eles voltaram ao arquipélago três semanas depois da passagem do segundo furação para coletar novos dados sobre a morfologia dos lagartos sobreviventes. A tragédia tinha trazido a rara oportunidade de analisar o efeito de furacões em uma população natural.

A espécie estudada se chama Anolis scriptus e vive em ramos e troncos de árvores. Comparando os dados obtidos antes e depois da passagem dos furacões, eles encontraram que os lagartos que resistiram à catástrofe eram menores, tinham braços mais longos, pernas mais curtas e lamelas adesivas maiores nas mãos e nos pés.

Os cientistas interpretaram que as novas características resultaram de seleção natural para resistir a ventos fortes. Como discutimos em uma postagem anterior, variações nas pernas e braços dos lagartos se correlacionam com a capacidade de se agarrar a troncos e galhos.

Para corroborar esta interpretação, eles filmaram lagartos agarrados a um bastão em frente a um soprador de folhas secas. O resultado vocês podem apreciar no vídeo abaixo:

 

 

João Francisco Botelho (Yale University)

Para saber mais:

Donihue CM, Herrel A, Fabre A-C, Kamath A, Geneva AJ, Schoener TW, et al. Hurricane-induced selection on the morphology of an island lizard. Nature. 2018.

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